Tenho muita sede, mas bebo pouco. Antes, essa ânsia em viver tudo e logo, me fazia ingerir altas doses de expectativas e consequentemente, de frustrações. Também acreditava mais nas pessoas, tentava compreendê-las. Sempre me mostrei corajosa, mas a verdade é que sou completamente insegura e para me mostrar, tomei uma série de decisões patéticas. Só não conta isso para ninguém, tudo bem? Para sair lá fora, passei a criar uma espécie de mim que pouco confia, foi a maneira que encontrei para que me respeitassem. Muitas vezes, durante noites a fio, eu me trancava em banheiros de bares, me encarava tentando entender quem eu era e se aquilo que eu demonstrava, era uma versão minha despreocupada ou algo que me condicionei para agradar. Bebia muito. Queria experimentar de tudo, na certeza que encontraria algum motivo que me acalmasse a alma, mas tudo que eu arranjava, era uma bela dor de cabeça no dia seguinte. Fui tola, confesso. De gole em gole, fui desistindo. Não tenho ...
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Mostrando postagens de agosto, 2022
Algo ou alguma coisa
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Mas esse gosto eu já conheço, não me surpreende. Ele amarga a boca, paralisa as mãos e aperta o peito, às vezes dá uma tremenda falta de ar. Te faz querer chorar ou sentir qualquer coisa além do que você está sentindo. Dá vontade de gritar ou quebrar tudo ao seu redor, algo que possa aliviar um pouco dessa angústia. Algumas vezes te dá uma tristeza imensa, outras, uma profunda raiva ou apenas um vazio gigantesco. Acho que esse é o gosto da dor. Dentro de mim existe um oco, resultado do tanto que me permiti o desgaste. Para poupar pessoas, não me poupei do sofrimento e deixei que ele me corroesse até aqui. Quando grito, ouço o meu eco e quando choro, salgo as feridas que não se fecham e me machucam. Desenvolvi maneiras de me mutilar sem que percebem, tento causar o menor dos transtornos para os que estão ao meu redor. Acabo passando despercebida a maior parte do tempo, mantendo consideração por alguns que não mantêm por mim. ...
Agosto... pra variar
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Tento fazer deste mês, algo tranquilo. Embora tudo sempre me arrasta pra uma maré de más lembranças. Pois um dia, um homem verdadeiramente me amou. Ele sentiu minha vinda e me colocou num pedestal. Criou um padrão alto demais para ser embatido. Faz aniversário este mês, mas comemora duas vezes e mesmo assim, também foi o mês da sua partida. De uma hora para outra, se afastou mesmo estando tão perto. Eu era nova demais para entender o quanto isso me machucaria pelo resto da vida. Não sei confiar desde então e fico esperando as pessoas me abandonarem. Me sinto pouco interessante e também me saboto, me relacionando com quem não vale a pena por míseras atenções em busca de me sentir completa, especial e feliz. E com quem se importa comigo de verdade, por medo ou frustração, acabo me afastando porque acho que não mereço tanto amor. Sou ansiosa e estou sempre me convencendo de que não gostam de mim. É cansativo. Dentro de ...