Tenho muita sede, mas bebo pouco. Antes, essa ânsia em viver tudo e logo, me fazia ingerir altas doses de expectativas e consequentemente, de frustrações. Também acreditava mais nas pessoas, tentava compreendê-las. Sempre me mostrei corajosa, mas a verdade é que sou completamente insegura e para me mostrar, tomei uma série de decisões patéticas. Só não conta isso para ninguém, tudo bem? Para sair lá fora, passei a criar uma espécie de mim que pouco confia, foi a maneira que encontrei para que me respeitassem. Muitas vezes, durante noites a fio, eu me trancava em banheiros de bares, me encarava tentando entender quem eu era e se aquilo que eu demonstrava, era uma versão minha despreocupada ou algo que me condicionei para agradar. Bebia muito. Queria experimentar de tudo, na certeza que encontraria algum motivo que me acalmasse a alma, mas tudo que eu arranjava, era uma bela dor de cabeça no dia seguinte. Fui tola, confesso. De gole em gole, fui desistindo. Não tenho forças para combater esse mundo e hoje pouco acredito nos outros. Prefiro o silêncio, o tédio que me desespera quando permaneço em casa. Talvez esses sejam os meus maiores aliados. Agora eu tenho um filtro de barro, só me falta tomar mais a água de casa e explicar para um lado de mim que essa sede quem vai matar sou eu. Chega de bares e pessoas que não conheço.


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