Agosto... pra variar

 

    Tento fazer deste mês, algo tranquilo. Embora tudo sempre me arrasta pra uma maré de más lembranças. Pois um dia, um homem verdadeiramente me amou. Ele sentiu minha vinda e me colocou num pedestal. Criou um padrão alto demais para ser embatido. Faz aniversário este mês, mas comemora duas vezes e mesmo assim, também foi o mês da sua partida. De uma hora para outra, se afastou mesmo estando tão perto. Eu era nova demais para entender o quanto isso me machucaria pelo resto da vida. 

    Não sei confiar desde então e fico esperando as pessoas me abandonarem. Me sinto pouco interessante e também me saboto, me relacionando com quem não vale a pena por míseras atenções em busca de me sentir completa, especial e feliz. E com quem se importa comigo de verdade, por medo ou frustração, acabo me afastando porque acho que não mereço tanto amor. Sou ansiosa e estou sempre me convencendo de que não gostam de mim. É cansativo. 

    Dentro de mim existem esses detalhes, que tenho guardado com véus e tecidos que transluzem pureza. É a virtude de não perder a esperança, ainda que se tenha perdido muito, de que algum dia alguém irá verdadeiramente me encontrar dentro da minha pele e me abraçar. Me fazendo crer que sou mais do que todas essas inseguranças. Mesmo com todo esse comportamento destrutivo, algo em mim diz para crer e eu creio. Um dia repousarei os olhos em alguém que contemplará todas as minhas versões e será muito lindo. Por enquanto, me resta apenas aprender a viver. 


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