Postagens

Mostrando postagens de novembro, 2020

Vou indo

*Contém palavras e palavrões      Eu tinha tanta coisa a dizer com 13 anos, então peguei a caneta e comecei a escrever. Entre mágoas, solidão e o sentimento de vazio que me seguia, cresci com uma boa mãe e mesmo assim com uma cabeça fodida, que me fazia pensar que eu não era capaz, enquanto morava numa cidade que me fazia crer que eu era tão exótica e eu sofri por isso. Crente das minhas convicções, permaneci como tinha que permanecer e sem temer, fiz o que devia; não me arrependo. Quando criança, calava-me diante os desafios, era muito tímida e permitia que fizessem qualquer coisa comigo. Esse é o tipo de merda que impregna em você mesmo que você não queira, além de outras frustrações, como a separação dos meus pais e como o meu pai foi um escroto comigo.       Então aqui estou eu, diante o futuro com fantasmas do passado. Esses que eu jurei que não me seguiriam, mas de repente, eles me fazem visitas. Eles sentam na mesa que sento, comem a comida que ...

Olhos como a noite

Os olhos dela brilhavam como a noite Estrelas no céu e luzes na rua Seus lábios como meu afoite Enquanto a imaginava nua Minhas mãos ficam suadas E eu caminhando nessa madrugada Pensando nela enquanto volto pra casa Essa sensação não vai embora por nada Meus braços ao redor de sua linda cintura Só de pensar, sinto muitas saudades Por favor, menina, vem e me cura Sabe o caminho, é só cruzar a cidade Vivo como um bobo apaixonado E a semana tem longos sete dias Que sem ela, serão tão demorados Sem seu calor nessas noites frias Os olhos dela brilham tanto Realmente sorrio só de ver o seu sorriso Sua voz tão doce quanto o mais belo canto Te ver de novo é literalmente o que preciso Acabei de vê-la e meu peito está apertado Agora não paro de rir dentro do metrô Sorrindo como um tolo apaixonado Querendo viver esse amor meio retrô É doce a forma como me olha Lembrarei disso para os dias passarem Ainda sem acreditar que me deu bola Pois sua beleza transcende lugares Seus olhos escuros chamam a a...

Contenção

     Desde que tudo isso começou, não sou mais a mesma. Na verdade, acredito que a quarentena foi um bônus. Ano passado a minha tia morreu e amanhã faz um ano que isso aconteceu. Na época, eu estava atordoada com a correria do meu último ano na faculdade, correndo para entregar as horas do estágio, correndo para estudar a apresentação do meu TCC e lidando com as provas semestrais. Tudo estava uma loucura e eu nem tive tempo de sofrer. Eu lembro quando recebi a notícia e senti um vazio, eu já sabia que ia acontecer porque ela estava muito doente, mas não é o tipo de coisa que a gente pensa, né? De um jeito ou de outro, evito pensar na morte de terceiros. Quando cheguei no funeral, só sabia chorar alto e de soluçar. Toda a minha família estava lá, todos os meus tios e até tios da minha mãe, todos da igreja dela lotaram aquela sala ao redor do caixão e depois eu voltei, fui embora e minha cabeça estava um turbilhão. Sonhei com ela várias noites, acordava chorando e ansiosa t...

Entre coxas e bocas

*Conteúdo +18 Entre as minhas coxas escorre um líquido transparente.  Esse que por anos, nunca vi e até pensei que ele não existisse dentro de mim. Agora salga a boca do meu amor, todas as vezes que ele se dedica em me dar prazer e sua dedicação, me faz viajar para longe, com uma sensação que me faz rebolar o quadril e respirar mais fundo. Suas mãos por sua vez, me seguram porque ele sente, prevê o que está por vir. Extasiada, observo como ele tenta não deixar o líquido transbordar em sua boca, embora às vezes flui em grandes quantidades molhando colchões e sua barba. Com um beijo sinto meu gosto, sei o que ele sente, quero senti-lo também . Não foi difícil perceber a minha sexualidade bilateral, mas ainda que eu admirasse algumas belezas, nunca tive vontade de me aventurar com o ser masculino. Até que ele apareceu e tudo mudou. Juntos, mesmo que não virgens, mergulhamos em algo nosso, que nunca havíamos sentido. Não demorou para eu me dar conta que não era só sexo, também tinha a...