Vou indo
*Contém palavras e palavrões
Eu tinha tanta coisa a dizer com 13 anos, então peguei a caneta e comecei a escrever. Entre mágoas, solidão e o sentimento de vazio que me seguia, cresci com uma boa mãe e mesmo assim com uma cabeça fodida, que me fazia pensar que eu não era capaz, enquanto morava numa cidade que me fazia crer que eu era tão exótica e eu sofri por isso. Crente das minhas convicções, permaneci como tinha que permanecer e sem temer, fiz o que devia; não me arrependo. Quando criança, calava-me diante os desafios, era muito tímida e permitia que fizessem qualquer coisa comigo. Esse é o tipo de merda que impregna em você mesmo que você não queira, além de outras frustrações, como a separação dos meus pais e como o meu pai foi um escroto comigo.
Então aqui estou eu, diante o futuro com fantasmas do passado. Esses que eu jurei que não me seguiriam, mas de repente, eles me fazem visitas. Eles sentam na mesa que sento, comem a comida que eu como, consomem os meus pensamentos, me tiram o sono e até o sexo. Eles disseram um tempo atrás, que eu tenho depressão, eu só peguei isso pra mim e fui embora. Arrastando-a, como quem arrasta um cadáver pesado pela rodovia, sem medo de ser pego. Claro que eu penso muito sobre como é chato, o simples fato de trazer toda essa bagagem comigo, mas tudo que eu ouvi sobre como sua cabeça torra, quando se vira adulto por coisas da infância, tem se confirmado. A diferença clara entre nós é que de um jeito ou de outro, eu tento encarar esses sentimentos de frente e cansei de me entupir de qualquer vício para suprir quaisquer questões emocionais.
Eu sou tão pensativa, sou tão reflexiva, desde pequena sabia que não era normal, porque minha mente conversa comigo mais do que o habitual e isso faz eu me sentir especial, faz eu sentir que no fundo sirvo para o mundo ou que talvez, quem sabe, eu possa até lotar prateleiras de livrarias. Eles dizem que me odeiam, na mesma proporção que os outros me amam, tento não deixar com que o ódio se sobressaía porque faça qualquer merda e ainda assim, vão falar de você. Sempre tive medo de não ser aceita, ao mesmo tempo que caminho contra a barreira, tentando entender qual o limite das pessoas enquanto tento descobrir o meu e é tão confuso, a minha cabeça fala pra caralho comigo e eu sinto a constante necessidade de escrever sobre tudo, eu vejo poesia em tudo, eu sinto o mundo de forma tão intensa.
Repetições de palavras, outrora ideias e ouço pessoas dizendo que eu tenho um talento, que isso me torna sensível. A vida toda fugi desse rotulo e agora, naturalizo-o em meus pensamentos e eu me seguro para não surtar. Mesmo que às vezes pareça que busco motivos para me martirizar, diante da insegurança que trouxe comigo, que faço de abrigo por não conseguir entender e aceitar que não escolho finais e que eles não podem mudar. Que às vezes, as pessoas querem simplesmente sair de nossas vidas e que isso não significa que não somos seres incríveis para se ter por perto. O certo é que a vida é uma viagem e eu não faço ideia pra onde estou indo. É uma merda ser adulto, coisa que nunca vou entender é isso. Ainda que no futuro eu forme uma família e tenha uma casa, continuarei sendo a mesma Vivian. Aquela que pensa muito na mãe e insiste em querer caber em todos os lugares. Sei que lá fora o mundo vive e aqui dentro, eu apenas sinto-o.
Dedico ao eterno Mac Miller.
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