Tem um coração partido ouvindo músicas da Sade
É noite, faz frio e garoa lá fora. Do vitrô no alto da cozinha, se pode ver a rua molhada. É que eu ainda moro naquela casinha dobrando a esquina, que a porta só dá um metro das grades do portão e no espaço só cabe uma cadeira de área. Aqui dentro tem essa luz amarelinha que conforta e tinge os azulejos brancos e ultrapassados, no fogão tem a minha leiteira vermelha que ferve um chá para mim. A fumaça sobe até o vitrô e deixa o vidro embaçado, se misturando com o pouco do vento gelado que entra sem pedir licença. Encosto no balcão enquanto espero, belisco uma bolacha. Agora com o chá na xícara, vou para o meu quarto. Aquele mesmo de sempre: uma cama de madeira bem pequena e uma penteadeira antiga e toda delicada. Procuro algo para ler enquanto me aqueço. A chuva dança na minha janela enorme de madeira, o barulho é agradável mas provavelmente não conseguirei dormir. E não consigo. Eu levanto e vou até a sala, mas a televisão não pega. Deitada em me...