A dádiva de saber ouvir o outro
O sol brilhava no céu e ardia os olhos. O mormaço cobria a pele com um suor que não se continha e a garganta estava tão seca, que eu podia sentir a minha queimando, mesmo assim, não era o bastante para que vozes não fossem ouvidas. Revisitei níveis de socialização que eu vivia quando criança, onde eu me colocava a ouvir e não dizia nada. Não me perguntaram, também não me deram abertura para que eu falasse sobre mim. Não sou mais interessante, longe disso. É que eu não sei se foi o tempo pandêmico ou se as pessoas sempre foram assim e eu não percebia, mas hoje em dia, há uma necessidade muito grande em falar, falar, falar. É preciso deixar a sua opinião no mundo, senão, de que vale a sua existência mesmo? São tempos em que diálogos morrem, se transformam em monólogos que não têm previsão de fim. Para alguns, há um orgulho imenso em conseguir falar sobre sua própria vida, pena que se esquecem que trocar experiências agrega muito mais. As pessoas estão mais impacientes também. Querem tudo para ontem e aí de quem estiver atrapalhando. Querem viver tudo de uma vez porque pararam por um ano. Em partes eu entendo, só acho que falta um controle emocional e uma empatia com o próximo. Coisas que nem mesmo um vírus mortal fez adquirirmos e isso está cada vez mais evidente, na minha concepção. Não sei se viajo, quando indago sobre esse devaneio. É que tenho vivido algumas experiências, que me fizeram pensar que todos têm muito a dizer, mas a sabedoria é também saber ouvir, entende? Você já fez esse exercício mental? Porque eu, como comunicadora, tenho aprendido muito ouvindo também e falando só o necessário. Sei lá, às vezes eu acho que caí bem.
Reflexão baseada numa experiência que eu vivi.
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