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Mostrando postagens de janeiro, 2022

Mas eu realmente andei por todo este caminho

     Os dias são todos quentes, mas aquele em questão exorbitava num calor insuportável. Eu como sempre, na frente do colégio com aquelas meias, logo me arrependia. Os minutos pareciam uma eternidade e o suor escorria com uma certa rapidez, olhei para o relógio e decidi que estava cansada de esperar. Vou andando. No caminho, passos largos e por dentro, um aperto no peito. Já em casa, após um banho, fiz uma reflexão inteira sentada na cama, enquanto recebia o ar abafado daquele ventilador velho no rosto. Naquele momento tentei não sentir mais nada e fiz um compromisso de ser apática a qualquer acontecimento da minha vida, visto que sempre fui pessimista e sempre vi o copo meio vazio. Daí pra frente fiz coisas das quais não me orgulho, também pouco gosto de lembrar.      Talvez essa apatia tenha me feito bem por um tempo, mas internamente eu sabia que não duraria para sempre. Ter me fechado, não fez com que as pessoas parassem de falar ou de agir de maneiras ...

melhor sozinha

não sou a melhor em tudo julgo tudo falo muito falo mal  mas essa sou eu  às vezes incoerente  mal-educada grosseira nervosa mas quando mais precisei você me deixou falou coisas agressivas escolheu o pior dos momentos logo quando eu estava vulnerável  você disse coisas e outras não  confundiu minha cabeça  não permitiu nem que eu me defendesse me machucou muito  por quê? amor, por quê?  não tenho mais forças já não tinha nada  agora também não tenho o nosso amor você não gosta de mim  me ama mas não me suporta cansei de passar por cima tudo que tínhamos acabou  perdoa a hipocrisia que você jura não ter dito mas falou tanta coisa que se eu errar uma palavra você acaba comigo  igual acabou com o meu amor sinto muito por ter sentido tanto mas você me machucou muito está doendo tanto  me abri demais  num momento como esse  estou frágil  e você me partiu em pedacinhos por quê, amor? por que quis me machucar? ter ...

mas isso tudo me dá frio na barriga demais

       Eu costumava deslizar as minhas mãos por suas costas nuas. Deitados, conversávamos sobre a vida e seus desdobramentos, sobre o quanto o mundo pesava toneladas do lado de fora do seu quarto. Ainda que disséssemos todo tipo de coisa, nossos momentos eram únicos e de alguma forma, fazer amor e conversar eram nossas terapias. Desde o começo eu te contei o meu caos e saiu tão fácil da minha boca, que jurei que você iria embora, mas não foi. Ficou e disse que tudo bem, estava ali para me acolher. Te amei desde então. Mas em algum momento perdemos isso e a rotina foi nos engolindo, sobrecarregando os ombros e os diálogos sumindo. Daí em diante, tagarelei sobre bobagens: sobre cores que gosto, lembranças da infância, sobre bebidas que já tomei e mesmo assim um silêncio crescia como um elefante que nos acompanhava por todos os lugares que íamos. Então vieram as brigas e cada vez mais frequentes, iam nos partindo ao meio, nos quebrando mesmo quando insistíamos em coloca...