Mas eu realmente andei por todo este caminho
Os dias são todos quentes, mas aquele em questão exorbitava num calor insuportável. Eu como sempre, na frente do colégio com aquelas meias, logo me arrependia. Os minutos pareciam uma eternidade e o suor escorria com uma certa rapidez, olhei para o relógio e decidi que estava cansada de esperar. Vou andando. No caminho, passos largos e por dentro, um aperto no peito. Já em casa, após um banho, fiz uma reflexão inteira sentada na cama, enquanto recebia o ar abafado daquele ventilador velho no rosto. Naquele momento tentei não sentir mais nada e fiz um compromisso de ser apática a qualquer acontecimento da minha vida, visto que sempre fui pessimista e sempre vi o copo meio vazio. Daí pra frente fiz coisas das quais não me orgulho, também pouco gosto de lembrar.
Talvez essa apatia tenha me feito bem por um tempo, mas internamente eu sabia que não duraria para sempre. Ter me fechado, não fez com que as pessoas parassem de falar ou de agir de maneiras agressivas e desgastantes comigo, mas quanto mais faziam essas coisas, mais grosseira eu me tornava. A vida não foi fácil até aqui e acho um tédio quando dizem que tudo isso me fez crescer. Poxa, não quero crescer então, prefiro ser pequenininha. A ponto de não estar sempre neste estado de alerta e não afastar as pessoas por medo delas se afastarem primeiro. É complicado. Mas no meio disso, tirei alguns significados.
Finalmente entendi que é um saco essa coisa de não sentir e que na verdade, todo mundo sente, mas tem medo de dizer. Todo mundo sofre, chora, fica magoado e etc., então pra que esconder? Uma vida inibindo isso é prejudicial, te leva à falência emocional muito mais rápido do que se imagina. Assumi finalmente o que sou e sou alguém sentimental que chora muito, ri bastante e não tem medo de sentir as emoções. Ainda que eu torça o nariz, de fato, cresci alguns anos em quatro e já tem um tempo que eu digo e sinto: a dor, como o amor e qualquer coisa boa, é inevitável. Eu me reconstruo a cada queda que eu tenho, junto meus pedaços e sei a hora de ir embora. Claro que isso tem mais a ver com ir embora no calor, do que permanecer nele esperando que alguém te busque depois de uma hora. Na minha cabeça, faz algum sentido. Sabe?
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