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Mostrando postagens de agosto, 2021

Carta para Antônio Carlos

         Você se lembra de uma segunda-feira que eu não fui à escola? Eu estava na primeira série e era agosto, como é agora. Naturalmente fomos buscar caixas de papelão nos mercados e quando alguém me perguntava se eu estava me mudando, eu dizia que não, que você quem iria. Mesmo sem entender muito bem o que significava. Essa é a última vez que te escrevo, eu espero, espero que não sinta nunca mais nada dentro do meu coração a ponto de que precise colocar pra fora.       Neste dia, você me colocou numa picape velha e me levou para conhecer a sua nova esposa, sem que eu soubesse, na inocência de uma criança de seis anos, você me disse que eu deveria entrar numa loja e entregar algo para uma mulher e assim fiz. Na verdade, tudo isso era apenas para ela me conhecer né? Acho engraçado como pensa que não lembro, como tenta fantasiar por aí que o processo foi tranquilo, mas você pode enganar a todos eles menos a mim. Eu estava lá, vi tudo acontece...

Abacate de porcelana

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  Eu me lembro como se fosse hoje: você me encontrou depois da aula e decidimos tomar uma cerveja. Era uma quarta-feira, a noite estava fresca e eu disse a minha mãe que demoraria um pouco para chegar em casa. Lá no bar, você me disse que queria conversar e meu coração quase saiu pela boca. Fiquei ansiosa, pensando em tantas possibilidades e como de costume, sofrendo por antecipação. Mas me deixou extasiada, quando com pausas dramáticas, perguntou se... eu... queria... namorar... você. "Eu quero" foi a minha resposta, que veio anexada com um sorriso tímido e ali oficializamos o que naturalmente estava acontecendo.   Depois passei a sentir saudade demais e a perceber que as horas voavam quando estava ao seu lado. Senti algo bater forte no peito e numa despedida disse "eu te amo". Completamente tímida, porque era tão recente, mas era o que eu sentia e foi só se intensificando desde então. Hoje, 732 dias depois, posso dizer que aprendi muito com você e com nós, uma das...

Em outra encarnação, não vou fazer que seja nessa

 Costumávamos imaginar um futuro lindo, com uma casinha num sítio de janelas grandes e cozinha amarela. Claro que no começo não era assim, mas ao segurar pela primeira vez a sua mão, jamais quis soltar desde aí, mas a rotina foi nos engolindo e o cansaço sobrecarregando. Aquilo que dava prazer já não me parecia tão atrativo e ao lidar com alguns demônios fiz de tudo para não te perder, enquanto da sua mão eu escorria pelos dedos. Talvez seja chato este meu anseio em querer te ter pra mim por longas horas durante finais de semana, mas você faz falta na minha cama e principalmente fez falta dentro de mim. Corri pra te dizer, não deu tempo. Então tudo que tentávamos fazer juntos a pressa não deixava, ou o cansaço, ou o estresse... coisas que nos separavam fisicamente. De repente olhei ao redor e nada se encaixava, tentei falar com você o tempo inteiro mas havia uma bolha entre nós que não permitia. Então me peguei fazendo coisas que não queria, vendo você sacrificar a sua alegria em p...