Em outra encarnação, não vou fazer que seja nessa


 Costumávamos imaginar um futuro lindo, com uma casinha num sítio de janelas grandes e cozinha amarela. Claro que no começo não era assim, mas ao segurar pela primeira vez a sua mão, jamais quis soltar desde aí, mas a rotina foi nos engolindo e o cansaço sobrecarregando. Aquilo que dava prazer já não me parecia tão atrativo e ao lidar com alguns demônios fiz de tudo para não te perder, enquanto da sua mão eu escorria pelos dedos. Talvez seja chato este meu anseio em querer te ter pra mim por longas horas durante finais de semana, mas você faz falta na minha cama e principalmente fez falta dentro de mim. Corri pra te dizer, não deu tempo. Então tudo que tentávamos fazer juntos a pressa não deixava, ou o cansaço, ou o estresse... coisas que nos separavam fisicamente. De repente olhei ao redor e nada se encaixava, tentei falar com você o tempo inteiro mas havia uma bolha entre nós que não permitia. Então me peguei fazendo coisas que não queria, vendo você sacrificar a sua alegria em prol de uma boa convivência na sua própria casa e as coisas começaram a ter um gosto amargo. Parecia um fardo já e a ideia de que poderíamos brigar a qualquer momento, quando estivéssemos juntos, me atormentava. Me fazia não querer mais te ver. Eu juro que fui perdendo a graça, fui aprendendo a lidar com as minhas dores sozinha, porque por uns instante pela primeira vez, vi em você uma oportunidade para me abrir, mas voltei pra trás. Claro que conviver comigo é um saco! Sou exigente, um tanto quanto explosiva e com estes hormônios dentro do meu corpo, só sei sentir raiva. Num dia desses acordei e sabia o que eu sei agora, não erámos mais um casal. Você muito distante e eu muito explosiva: a combinação perfeita para o amor ir pelo ralo. E os planos de ter uma casa, viagens, histórias, foram ficando no passado, tudo perdeu a cor. Corri pra te dizer, mas não te encontrei e agora sinto tanto a sua falta que me dói, falta algo aqui comigo. O estranho é que não me sinto sozinha, nesse quesito me sinto como me senti por muitos meses, mesmo com você deitado comigo. As lágrimas correm no rosto porque quero mais uma vez tentar esquecer tudo isso, mas de nada adiantou as outras vezes que esqueci e aconteceu tudo de novo. E agora? O que fazemos com isso? Como explico para o meu coração que rompemos com alguém que não sinto raiva? Me ajuda a entender porque quero te ter por perto se não dá certo. E esse vazio, esse quarto escuro em que me encontro, essa pouca vontade de existir me faz dormir chorando, pensando nos dias em que fomos coloridos, vivos e felizes. A última lembrança nossa vem recheada de palavrões, gritos e dor. Creio que me apeguei a um passado que não existe há um bom tempo, então como pode dar certo? Sei que me diz coisas e me diz muito, mas palavras não são atitudes. 

Você me pergunta se está tudo bem, mas será que você realmente se importa com a resposta?

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