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Mostrando postagens de maio, 2021

Flores de plástico

 *Contém palavras e palavrões        Caminhando por essas ruas na noite crua, com minhas botas um pouco desgastadas exploro bares e lugares que eu nunca fui. Sozinha eu abro um botão da camisa enquanto prendo o cigarro com os meus dentes, eu ajusto a saia e confiro a hora em meu celular. Agora é mais tarde do que deveria ou cedo demais para os corpos que não se calam. Eu ando como quem procura um lar, antes de uma casa e nas calçadas me equilibro no meio-fio enquanto o semáforo não fecha. Esses homens patéticos com seus ternos, voltando de seus trabalhos nojentos em seus carros chiques são mesmo um tédio e a cada buzina mostro o dedo médio incansavelmente. Mas eu não ligo, eu quero chegar no meu destino. De manhã sempre volto pra casa com a maquiagem borrada e completamente cansada, passos curtos de pernas que dançaram a madrugada inteira e não querem mais nada. Neste instante encaro os mesmos homens patéticos agindo totalmente ao contrário. Com suas esposas e f...

As cores

 As cores refletem aqui dentro. Por um momento penso que são as mais brilhantes que já vi, mas é que quando se passa muito tempo sem vê-las, é como se você quisesse contemplar cada pedaço do mundo. Por toda essa vida fazendo esforços para poder observar, para conseguir suspirar em ver paisagens e mesmo com óculos de grau ainda tive dificuldade. Por ter aqueles dias que a gente acorda numa fadiga e nem ousa abrir a cortina. Mas as cores ainda assim brilham e quando descobri fiz festa por uma semana inteira, gastando minha visão com todos os tons que o mundo me oferecia. Agora com a mochila nas costas eu sonho acordada, sempre pensando que só me falta alguns ajustes e depois quase nada, depois disso espero que a vida aconteça, ainda que eu saiba que ela já está acontecendo. Meus amigos passam e dizem oi de vez em quando, vivendo em suas rotinas e eu os observando, pois aqui dentro a hora quase não passa, também não sei se passa eu não vejo, mas o relógio virou meu inimigo. Eu corro c...

O banco sob a mesa

       Houve uma festa cheia de gente, barulho e conversa. No ar, os perfumes mais variados se misturavam e visualmente todos estavam bem vestidos, porém todos eram iguais. A mim, não restava dúvida de que de alguma forma, em algum momento, aquela criancinha tímida havia crescido e tentava agora se encaixar em festas, eu particularmente mandava bem. Danço como nunca, porque danço com a alma, liberto as energias e nunca fico bêbada. No escuro do salão, que só se ilumina com luzes que piscam, minhas amigas sempre elogiam e eu sempre estou sorridente. Ainda que quando chego em casa, dificilmente fico contente. Aqui, tenho tempo pra pensar e percebo que já não me encontro. Agora sem maquiagem, na frente do espelho depois de um banho intenso, não sou capaz de saber quem eu sou. Não me enxergo de jeito nenhum, mesmo com os meus óculos. Nos banheiros dessas festas também não me vejo, mas disfarço e ninguém me conhece. Aqui só me sobra esse amontoado de sentimentos que escon...