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Mostrando postagens de janeiro, 2021

Reciprocidade com a vida

    Eu sempre me senti deslocada, sabe? Consequentemente, diferente das pessoas ao meu redor. Sentia que não pertencia aos lugares ou talvez fui tão anulada, que criei uma barreira formada por timidez e receios. Sempre fiquei ansiosa com muitas vozes por perto e até hoje, é como se eu tivesse uma grande insegurança, que venço aos poucos, ao longo dos anos. Agora, nesta mesa de bar, encontro-me sozinha e ponho-me a pensar sobre a vida; eu sempre lidei com tudo em silêncio, sempre evitei tremores externos e guardei coisas pra mim, das quais ninguém nunca soube. Penso que isso não me fez bem e não quero mais que seja assim, por este motivo escrevo e poderia passar a minha vida toda usando palavras para me expressar, sem que eu precise dizê-las em voz alta. É bom. Aqui existe algo bonito, neste bar e nesta vida e esgueiro-me para enxergar, com frequência costumo fazer uma analogia de que minha miopia, atrapalha-me que eu veja lados positivos em minha vida também. Eu sempre fiquei ...

Febre

       Algumas coisas são amor, além de declarações públicas e flores. Numa manhã fria, é bom ter alguém para esquentar os seus pés além da meia e do cobertor. Alguém que não se importe com aquela unha pontuda que você tem no dedinho do pé e que se acostume com o cheiro que a sua boca tem, quando você acorda. É bom saber que você vai chegar em casa e ter alguém pra te consolar ou que numa ligação, pode dizer em tons frustrados, que aquela entrevista de emprego não deu certo. Aconchegante é a forma, como em mínimos detalhes, alguém te mostre que você é especial e vocês se conquistam mesmo depois de algum tempo juntos. Muitas coisas vão além do que pagar uma viagem para a praia ou ir a um restaurante caro. Chego a pensar que o amor não precisa de dinheiro, porque nada pode pagar uma boa companhia. Como é bom ter alguém que entenda suas manias, como a de conferir se você fechou o portão e se a torneira está fechada. Num dia ensolarado, é bom ter alguém que te busque águ...

O cômodo fechado

*Gatilho: abuso sexual  O modo como nossa mente trabalha, é um eterno conhecimento para nós. Ela pode nos levar a extremos em questão de segundos, ao mesmo tempo, que te tira de pensamentos para que você não sofra, não lembre e não sinta. Há quem diga que lembranças são ressignificações e que cada vez que visitamos memórias, desvendamos mais detalhes ou deixamos alguns para trás. Pensando em tudo isso, hoje com os pés em terras firmes, visualizo tudo o que me aconteceu e me permito tentar trabalhar todos os traumas que ficaram, porque me dei conta que correr e fugir das minhas dores não me levariam a lugar algum. Sei que muitas vezes o mais confortável é não enxergar, não bater de frente, mas acredite, isso vai te corroer por dentro e quando você notar, não te sobrará nada, apenas a armadura que construiu por fora. Claro que existem coisas que inconscientemente deixamos em segundo plano, sem sabermos o porquê, nós chutamos pra debaixo do tapete, mas uma hora esses fantasmas surgem ...