Reciprocidade com a vida


    Eu sempre me senti deslocada, sabe? Consequentemente, diferente das pessoas ao meu redor. Sentia que não pertencia aos lugares ou talvez fui tão anulada, que criei uma barreira formada por timidez e receios. Sempre fiquei ansiosa com muitas vozes por perto e até hoje, é como se eu tivesse uma grande insegurança, que venço aos poucos, ao longo dos anos. Agora, nesta mesa de bar, encontro-me sozinha e ponho-me a pensar sobre a vida; eu sempre lidei com tudo em silêncio, sempre evitei tremores externos e guardei coisas pra mim, das quais ninguém nunca soube. Penso que isso não me fez bem e não quero mais que seja assim, por este motivo escrevo e poderia passar a minha vida toda usando palavras para me expressar, sem que eu precise dizê-las em voz alta. É bom. Aqui existe algo bonito, neste bar e nesta vida e esgueiro-me para enxergar, com frequência costumo fazer uma analogia de que minha miopia, atrapalha-me que eu veja lados positivos em minha vida também. Eu sempre fiquei em segundo plano, até mesmo no meu protagonismo. Sempre cedi o meu espaço para alguém pintar e bordar por mim. Por quê eu fui assim? Não mais quero, pois tudo isso arrebatou-me, deixou-me arrasada ao fim de relações e deixa-me completamente frustrada quando acaba e percebo que tudo que fiz, foi colocar pessoas em pedestais que não deveriam existir. Numa tentativa de sentir-me viva, idealizei e realizei vivências que colocaram-me em perigo, que não trazem boas lembranças, mas explica o porquê sinto-me tão forte. Tão capaz de querer recomeçar mesmo sem saber como. Dizem que sofro demais e eu acho que penso demais e isso não soa-me ruim, muito pelo contrário, prefiro que o mundo seja questionado e que eu viva para aprender e reaprender quantas vezes for necessário. Sim, prefiro do que passar a minha vida negando sentimentos para mim e para os outros. É bom reconhecer e entender que esta vida de não pertencimento, é muito mais comum do que eu imagino. No fundo, sei que o mundo meteu os pés pelas mãos e agimos como se não soubéssemos. Se a ignorância é uma bênção, não fui abençoada ou dessa água eu bebi demais e todos esses devaneios são só delírios. 

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