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Mostrando postagens de janeiro, 2016

Eu sou a pobreza, vocês recusam a me enxergar

 "O Senhor é meu pastor, nada me faltará", Salmos 23 em um calendário velho, pendurado na geladeira onde reside a simplicidade. Nada me faltará, a fé não há de faltar que no mês que vem talvez tenha carne boa pra jantar, tenha eletricidade depois das oito da noite, talvez a televisão singela e pequena aquete os meninos após um dia inteiro correndo pelo mato com os pés cheios de barros e o sorriso no rosto. Quem sou eu? Ora essa, eu sou o que recusam a ver mas está presente em todo e qualquer lugar, eu sou a humildade, a esperança, a revolta, a dificuldade, eu sou a pobreza. Tamanha eu sou, mas a sociedade insiste em tratar como escória, eles jogam o meu povo em lugares afastados do centro, que é pra madame não me ver enquanto compra mais um sapato pra sua coleção de primavera-verão, que é pros meus meninos descalços não sentirem inveja do material escolar equipado das crianças nobres.

Minha calmaria tem nome

 Você é a calmaria por inteiro. Geralmente, pessoas tempestosas chegam até mim, fazendo eu virar as minhas noites escrevendo textos cheios de angustias, mas veja só amor, você consegue ser tão calmo, que meses se passaram e só agora sinto vontade de escrever sobre você, talhando cuidadosamente as palavras para que você consiga entender que minha paz eu encontro em ti. Sua voz, seus gestos, suas músicas, sua alma de artista faz com que você enxergue as coisas exatamente como eu enxergo também. Que paz, amor, que paz! Sua alma tranquila me assegura que o mundo não está tão grave assim. Eu que sempre segurei a tempestade que os outros trazem, mal sei lidar com tanto amor que você me traz, obrigada por isso tudo, mal vejo a hora de poder segurar em suas mãos e olhar profundamente em seus olhos.

Amor, que horas tu vem?

Mas meu amor, que horas tu vem? Vou te esperar acordada Estou com saudades, meu bem Ainda sou a tua amada? Teu sorriso não sai da minha mente Mas eu preciso te esquecer Por favor, diga o que realmente sente É algo que eu muito quero saber

Algo sobre o poeta azul

 Escorei-me na sacada enquanto acendia um cigarro, eu podia sentir o sereno pairar sobre meu rosto. Ele se aproximou e nesse momento, só conseguia sentir as batidas do seu coração mesmo com o som alto de dentro do apartamento, ele escrevia algumas coisas enquanto me olhava concentrado e objetivo.  - Sou a musa inspiradora da vez? - perguntei ajeitando a coluna e sorrindo de forma idiota.  - Digamos que sim. - sua voz saiu tão baixa e grossa.  - Quero ler o que você está escrevendo.  Fui me aproximando para ler seus versos mas ele fechou o seu bloco de notas tão rápido que não consegui ler nenhuma palavra.

Meu menino homem

 Mas olha só, meu menino homem, quantas saudades já sinto. Já te escrevi mil coisas com os meus olhos vislumbrados com o amor que tu irradia em mim, escreverei mais mil e uma se for preciso, se eu sentir. Falando em sentir, sabe? Eu realmente sinto algo muito forte quando estou ao seu lado, algo inexplicável mas com uma calmaria incessável, obrigada por tudo isso, meu amor. Foi maravilhoso poder acordar no meio da noite e percorrer a minha mão pelo seu corpo, tendo a segurança de que você dormiria ao meu lado até a manhã chegar. Eu não me importo se você deu, em algum momento, o mínimo de importância para qualquer outra garota, o que importa pra mim é ser eternas todas as vezes que nos encontrarmos e que isso tudo não tenha fim.