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Mostrando postagens de março, 2014

Carta à ela

  "Deitada aqui eu estava me lembrando de todas as vezes em que felizes dançávamos valsa naquele salão antigo, ou quando simplesmente ficávamos  escondidas  ouvindo a vitrola antiga de seu avó na sala, talvez você não se lembre mas eu não parava de te olhar quando corríamos até o balanço para brincarmos, aliás, eu te olhava sempre porque o brilho do meu dia era você. Lembrei das vezes em que ficávamos embaixo daquela imensa laranjeira do sítio de seu pai e adimirávamos o céu lindo e azul. Hoje tanta coisa mudou mas veja só, te encontrei naquele bar retrô e você me convidou para te acompanhar no Gin. Percebi que você continuava linda, tão linda quanto antes e naquele momento em que você me olhou de forma singela, um vento nostálgico me penetrou me fazendo sentir que de alguma forma você continua sendo o brilho do meu dia. Depois você me contou todas as suas coisas, o que tem feito enquanto não nos víamos e um pouco bêbadas corremos até o primeiro parquinho que vimos para ...

Estou aqui

 Agora eu estou aqui, contando quantos buracos existem dentro do meu coração. Eu me lembro de momentos, eu me lembro de sorrisos e felicidades, mas tudo que eu tenho agora são só dores profundas. O tempo vem e leva com ele quem não faz questão de ficar, é, se for pensar por esse lado, ninguém quis ficar aqui e tudo isso me faz pensar o que eu tenho feito de errado, o que exigem tanto de mim. Eu não sou perfeita, mas eu tenho o meu amor que pode também não ser perfeito, mas é feito das melhores coisas possíveis de mim e quando eu gosto, eu me jogo de cabeça, eu me arrisco. Me desculpe se você não é assim, mas eu gosto de coisas intensas assim como eu, e como querem que eu prossiga se cada vez que alguém vai embora, eu me perco também? Já nem sei mais quantas pessoas foram embora levando um pedacinho do meu coração. E de pedacinho em pedacinho, eu tenho ficado vazia e não tem sobrado muita coisa de mim, só uma dor imensa por ser terrivelmente sozinha.

Rima de dois

Amar é uma coisa serena, linda como as estrelas no céu Paixão é a violenta vontade que cobre o desejo como um véu Amar é a calma no ser, o tal do querer se prender por prazer Paixão é uma tal empolgação em querer e aceitar o outro ser Amar é reconhecer os defeitos do outro sem deixar de gostar Paixão é sentir que tudo é uma perfeição, é achar motivos para amar Amar é abrir os olhos, é viver a intensidade da verdade Paixão é fechar os olhos, é não estar presente na realidade Amar é a calma na alma, é uma necessidade de amor Paixão é um fogo indomável, onde é preciso se queimar pra sentir dor Amar é um gostar acostumado, é compreender o modo do outro ser Paixão é gostar e se surpreender com o modo, e ainda mais querer Amar é bem mais do que paixão, paixão pode se tranformar em amor Paixão é um desejo em plena empolgação, amar é calor sem ardor.

Em um dia dezessete de março...

 Eu estava tão mal que não conseguia nem mesmo segurar as lágrimas, também não sabia se eu estava no fundo do poço ou se estava descendo cada vez mais. Chorava desesperada num banheiro de escola, tentando não fazer barulhos reveladores. Era tão trágico, tão nítido e tão real que eu pude sentir a realidade pura assim que abri os meus olhos cheios de lágrimas e vi a luz forte daquele banheiro quase vazio. Eu estava tão sozinha que não havia nada que pudesse reverter isso e depois percebi mais uma vez que as pessoas não se importam realmente com os outros, só com elas mesmas. Eu também não saberia dizer porque eu estava naquele estado, só doía profundamente e eu queria ser capaz de mudar tudo e quando digo que estava chegando ao fundo do poço, é porque eu jamais me destruíra tanto para depois tentar me arrumar novamente, jamais havia sentido a solidão fazer ecos tão graves e grandes e, quando tudo isso aconteceu, as lágrimas saíram tão facilmente que eu nem precisava de motivos para ...

Snap out!

 Tinha lábios tão cheios, que eu não compreendia porque nunca sorria. Seus olhos escorriam lágrimas quentes que se misturavam com seu lápis de olho preto mas eles eram tão bonitos, só precisavam de um pouco de vida. O rosto era pálido e mortífero, uma completa Noiva Cadáver. Estava cada vez mais cadavérica, ia sumindo aos poucos e se sentia tampouco realizada e grandemente deprimida, podia até mesmo se sentir as piores coisas possíveis e não se achava atraente ou talvez bonita. Estava tão cansada, tão acabada que mal percebia o quanto se fechava cada vez mais e dormir era um alívio único e prazeroso, não havia nada de interessante que pudesse fazer ela se sentir melhor. Já não tinha fé, nem esperanças e nem perspectivas em sua vida, só uma dor única e pessoal que contorcia seu coração ferido e partido. Ela estava angustiada com as situações presentes e também não tinha forças e nem ânimo para reverter aquilo tudo, a dor parecia até mesmo mais confortável e acolhedora do que o mun...