Em um dia dezessete de março...


 Eu estava tão mal que não conseguia nem mesmo segurar as lágrimas, também não sabia se eu estava no fundo do poço ou se estava descendo cada vez mais. Chorava desesperada num banheiro de escola, tentando não fazer barulhos reveladores. Era tão trágico, tão nítido e tão real que eu pude sentir a realidade pura assim que abri os meus olhos cheios de lágrimas e vi a luz forte daquele banheiro quase vazio. Eu estava tão sozinha que não havia nada que pudesse reverter isso e depois percebi mais uma vez que as pessoas não se importam realmente com os outros, só com elas mesmas. Eu também não saberia dizer porque eu estava naquele estado, só doía profundamente e eu queria ser capaz de mudar tudo e quando digo que estava chegando ao fundo do poço, é porque eu jamais me destruíra tanto para depois tentar me arrumar novamente, jamais havia sentido a solidão fazer ecos tão graves e grandes e, quando tudo isso aconteceu, as lágrimas saíram tão facilmente que eu nem precisava de motivos para chorar.
Ou talvez eu chorava por acúmulos de motivos amontoados dentro de mim que se esvaziavam em lágrimas desesperadas. Depois, veio a parte de erguer a cabeça para o mundo e enfrentar as pessoas mais frias do que aquelas noites de inverno que eu já havia enfrentado, aí eu vi que as pessoas perguntam o que você tem por pura educação, depois elas desprezam isso de suas vidas. Obrigada à todos que foram particularmente grossos comigo, lembrarei de fazer pouco caso quando se sentirem tristes também. Mas que sentido tem tudo isso? Eu também não sei, eu só sinto e sentir já é um caso sério, também mostra o quanto eu estou viva, por mais que eu esteja totalmente destruída, eu ainda respiro.



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