Snap out!



 Tinha lábios tão cheios, que eu não compreendia porque nunca sorria. Seus olhos escorriam lágrimas quentes que se misturavam com seu lápis de olho preto mas eles eram tão bonitos, só precisavam de um pouco de vida. O rosto era pálido e mortífero, uma completa Noiva Cadáver. Estava cada vez mais cadavérica, ia sumindo aos poucos e se sentia tampouco realizada e grandemente deprimida, podia até mesmo se sentir as piores coisas possíveis e não se achava atraente ou talvez bonita. Estava tão cansada, tão acabada que mal percebia o quanto se fechava cada vez mais e dormir era um alívio único e prazeroso, não havia nada de interessante que pudesse fazer ela se sentir melhor. Já não tinha fé, nem esperanças e nem perspectivas em sua vida, só uma dor única e pessoal que contorcia seu coração ferido e partido. Ela estava angustiada com as situações presentes e também não tinha forças e nem ânimo para reverter aquilo tudo, a dor parecia até mesmo mais confortável e acolhedora do que o mundo bizarro em que precisamos meter a cara todos os dias.
Pensava em morte mas isso era besteira pois ela já estava morta e isso não é nenhum exagero. Como pode alguém apenas existir invés de viver? Morrer não era a solução para alguém que precisava ressuscitar e suicídios são apenas estatísticas, não uma solução terminável. E o que ela poderia fazer? Sua aparência estava começando a mostrar o quanto se sentia ruim e se preencher com coisas vazias não iria fazer ela mais feliz, seria também apenas um número na estatística. Então ela teria que aprender a viver porque problemas são coisas que nos fazem perceber que, quer queira ou quer não, estamos mais vivos do que nunca e essa menina cadavérica vai ter que entender que nada é o fim do mundo. Amanhã é um novo dia, a chuva vai embora deixando o sol aparecer e que para brilhar invés de se tornar escuridão, é preciso correr atrás do brilho da felicidade porque ele não costuma vir até nós, e correr atrás desse brilho significa se priorizar e dar valor a quem nós dá valor.



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