tons amenos de notas graves

ainda são tempestades que estão por vir

como noites que não têm fim

madrugadas que ainda estou aqui

olhos roxos que não me deixam mentir

o sol nasce e eu subo a clave

mas permaneço em algum perigo

da persistência em reconhecer

que ainda busco um abrigo

no relento do momento obsoleto

me faço significante do absoluto

de tentativas em validar o que sinto

sobrevivendo a cada amanhecer

materializo o fluxo de ideias abstrato

sou então conhecedora dessa dor

como bate o acorde exato

me acorde quando esses maus tratos

não significarem mais o amor

e se fundirem ao fracasso da penitência

sou o subterfúgio dessa existência

buscando em mim razões 

naufrago em minha essência

flagelo um corpo que não para

é a insônia quem me ampara

meus pés ainda tão calejados

navego pela imensidão da noite

sou a representação do afoite

quando encontro Deus e seu cajado

quando me ponho a afogar no devasto

quando preciso apenas de um abraço

que não embargue a minha voz

e não limite o que estou sentindo

pois sinto muito e quase nunca peço

compreendo tudo e quase nada faço

se sou exata em arriscar o que tenho

só escondo bem mas não estou mentindo

sou um retalho de um montão de cousa

sozinha agora posso sentir a chuva

finalmente choro como quem se ousa

a delimitar qual é o fim da linha 





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