Vale do Anhangabaú
Perpétuo existir do abandono que ao menor dos sinais insiste em ir embora e caminha na direção contrária. Transporta-se ao lado oposto que agora lhe aguarda com tentáculos sombrios, tão profundos que fundem-se a escuridão da noite, de repente é só questão de tempo até que caia no mesmo cômodo soturno. Não é latente mas pouco repousa: é a caixa de pensamentos. Que abriga uma grande prisão para os homens, é a ágora de todos os polos, o boreal lido como labirinto para tolos e angustiados.
A natureza do não pertencimento ironiza a pouca vontade de fincar os pés, mas o sofrimento afugenta qualquer tentativa de se manter presente. É o paradoxo de tornar-se exatamente o que te causa maior dor, no pelejo de fugir, encontrar-se indiretamente na posição de quem te aprisiona na caixa de pensamentos, perpétuo e longo. Os dias são angústias perenes em minuciosas críticas que o espelho faz, contestando todo e qualquer ato que o mundo tenha tido conhecimento. É assim que você funciona.
Comentários
Postar um comentário