os pares de mirante pousam em outrem

pois permanência nem sempre é afeto

sentindo vidas que rastreiam alguém

alguém que te faça existir mais perto

e mais próximo do pouso das borboletas

que denota tempo e nota detalhes

são agora discussões tão obsoletas

tangemos nossos próprios males

que se colidem como opostos

e se assemelham no desgaste

fases que tanto desgosto

temendo que se alastrem

e como o sol que bronzeia a pele

mas queima tudo enquanto fica

psiques que se expelem

matérias que se identificam

mas o farol já não admira as águas

e como sua mãe elas choram

seu peito acresce de mágoa

salgam as ondas que se escoram

eu sou o mar eu também sou o porto

e adoçada na minha nascente

nasci banhada por rios eu sou o conforto

nem todo mundo sai quase ninguém sente

o luzeiro que cativa é o mesmo da partida

seu terreno é território vasto a explorar

se deixo de ser a musa prefiro tirar a vida

já não irradia claridade ao ver o barco ancorar

mas existe um mistério e esse momento

em que o magnetismo se encontra na areia

um festival de recitação dos sentimentos

e o faroleiro enfim acalenta a sua sereia



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