vermelho sangue
Declaro aos olhares que nos espiam, as subliminares palavras que se escondem no sentido ambíguo, que essas conversas rápidas percorrem círculos, nos trazendo sempre ao mesmo lugar continuamente e me tiram do sério. Busco segundos, cumplicidade, me faço presente sem parecer que quis estar, cruzamos enfoques e teus passos te aproximam, quase como uma linha que enrolo nos dedos enquanto puxo pra perto. Me sinto uma cobra me esgueirando em volta de ti, me enrolando ao teu redor, sentindo que poderia te dar o bote a qualquer momento mas me contenho. Você diz que estivemos tão perto que podia ouvir meus pulmões trabalharem e eu digo que estivemos tão próximos que eu acabei me rendendo.
Teus olhos fixos aos meus me fazem pensar que estou no controle de tudo, mas os deslizes em ir atrás me tornam tão frágil… boba e foi você quem começou com toda essa história: escrevendo palavras que somem após serem lidas, que despertou um lado completamente adormecido, que me revirou sem pedir licença e agora temos que nos contentar com abraços que ensejam melhores toques e instantes que clamam por maiores minutos. Te ler é tão simples, mas tuas camadas profundas indiretamente me convidam a ficar e a me interessar pelas tuas feridas, teus anseios, teus planos, teu futuro. Quero estar em teus pensamentos e morar nua nas tuas imaginações, navegar pelas linhas dos teus poemas, permanecer até que eu te consuma de fato.
Tudo que me diz é tão raso, mas você me cheira a uma vitalidade deliciosa e eu quase como uma vampira, rastreio cada centímetro do teu corpo, pretendo me imortalizar através da tua juventude, te sugando milimetricamente assim que possível. Te quero e não mais me reconheço, fico buscando explicações para o inexplicável e rompo barreiras que não pretendia. Se soubesse a energia que despertou dentro de mim, jamais teria provocado tamanha intensidade, então me afasto como quem nada queria e desdenho da tua pouca idade. Não procuro e não sei se desse modo mais te afasto ou te aproximo outra vez. Sei que disfarces não me contemplarão por muito tempo e eu estou caminhando mais até a borda nesses poucos dias, tão obcecada meus olhos ainda revelam tudo, mas logo supero e vou embora da tua vida.
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