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Alegorias já não descrevem o que eu sinto, mas posso dizer que tenho agulhas pelo o meu corpo, que tenho a sensação de que vermes comem a minha cabeça, mesmo sem ter morrido e permanecido numa caixa enorme de madeira. Anestesiada ou completamente dormente, essas agulhas agora já não perfuram, mas não me permitem a paz. Durmo pelo cansaço, mas tenho dificuldade para levantar no dia seguinte, porque sei que há muita vida a ser vivida e me cobro por não viver. Travada na mesma loucura de sempre, sim, eu ainda estou nessa e não consigo sair pois ainda que eu corra, fuja bem rápido, conte vitória e sinta o ar puro outra vez, é questão de tempo até que eu caia novamente nesse buraco e tenha que lutar a mesma batalha de sempre para sair dele.
Estou cansada e agora é diferente, eu realmente tenho desistido. Porque sei que mesmo quando eu finalmente escalar até lá em cima, em algum momento algo me puxará outra vez e choro. Queria que fosse outra história, outra vida, outro momento, às vezes eu fico presa no tempo querendo viver o passado que não vivi. Uma eterna saudosista. Antes eu tinha dores, agora tenho vícios que me condenam nessa constante repetição que me aprisiona, me segura, não me permite seguir. Ao contrário de quando eu era criança, eu já sei nomear o que me machucou e percebo quando estou entrando nessa atmosfera, mas ainda não consigo evitar a queda.
É um fardo e a pior notícia é que durará a minha vida inteira porque parece que eu nunca mais vou conseguir sair daqui. Meu Deus! Dez anos se passaram e eu ainda me pego idealizando maneiras de tragicamente interromper esse ciclo, por mais que doa dizer em voz alta e imaginar o quanto isso destruiria todos que me amam. Sem me dar conta, passo o dia imaginando e ouvindo os meus pensamentos gritarem, minhas mãos travam em movimentos que também se repetem, sinto vergonha de mim por deixar que minha mente me domine tanto, a ponto de que perdi o controle de tudo. Eu tenho vícios e estou envergonhada por isso. Cansada de fingir que só estou aqui, porque no fundo acredito que posso mudar a realidade da minha mãe e quanto mais o tempo passa, mais eu me cobro e mais procrastino. Sinto falta do passado e tenho medo do futuro: a combinação perfeita para fracassar em todos os âmbitos da minha vida.
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