Miçangas


    Cortinas de miçangas enfeitam o local, junto ao som alto, as pessoas e a luz azul baixa que acompanha as silhuetas desses corpos suados. Você chega como quem nada quer e me para. Paralisa os instintos que me fazem pensar que perto de ti, poderia ser brutal, afoita e caliente, mas meu corpo se contenta em parar, pra que meus olhos te vejam e notem cada detalhe teu que a luz entrega. Rapidamente a minha mente trabalha a mil, tentando eternizá-los aqui dentro. Você me mostra o caminho e eu pronta pra salivar, tomo uma cerveja, te vejo dançar, fumo um cigarro, mas queria mesmo era sentir teu gosto no céu da boca e remar na imensidão que te transborda de água. Eu fico aguada. Você sorri e diz que estava com saudade, com um perfume doce encosta o cangote no meu rosto e eu só rio e te falo que te ver é sempre essa surpresa gostosa. Gostosas também são coisas que não ouso dizer, mas penso. Cabulo. Eu deliro. Dedilho meus cachos e te olho de canto. Quase sempre esqueço e lembro que ainda existem pessoas, música, barulho, gente trombando pra passar e suores que se misturam. Por mim, eu não valia nada e não valho desde que você entrou por aquela porta, segurando teu copo numa mão e a outra totalmente livre pra me acenar e vir ao meu encontro. Quando vi, estava dentro. Ao teu lado topo tudo. Agora que te beijo nesse banheiro e sinto tua pele com as pontas do dedo, tão lisa e suave, vou morar nesse momento. Não tem jeito. Existem muitas mulheres lindas, isso é fato, mas você é como a lua: te vejo brilhar de longe. E longe de novo desse teu beijo, quero mais outro. Ferrou! Não vou saber viver sem. Preta, me diz o que é que você tem?



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