vinte e um e muita vida

 

    Um dia você vai notar que tudo mudou desde que fui embora. Que esse sentimento que guarda, é por alguém não existe mais e que a dor te obrigou a mudar mais uma vez. Vai notar que nenhum corpo é como o meu, que nenhuma boca beija como a minha, que nenhum olhar será igual o meu. Quando acordar ao lado de mais uma pessoa, se dará conta que o casual, é a casualidade que encontrou para esquecer a última vez que estive deitada aí e olhei no fundo dos teus olhos dizendo que te amava. É claro que por um tempo, você não acreditou no amor e um dia desacreditou até do meu, porque parti. Dessa vez eu peguei o ônibus primeiro. São dores que causei sem intenção, mas assumo a responsabilidade e em algum momento, tudo que vivemos deixará de fazer sentido e você irá se acostumar com essas bocas que beijam rápido demais e essas mãos que são apressadas, quase se esquecendo que te beijei sob a luz da lua e te toquei devagarinho. Quando se lembrar e não machucar mais, estará curada de mim e as manhãs não terão mais meu cheiro. Você vai andar pelas ruas e ao encontrar uma mulher parecida comigo, teus olhos grudarão nela por alguns segundos, até se dar conta que eu só existo nas tuas lembranças, que até o peito que te deu abrigo, troquei por outro. Irá sorrir no caminho do teu trabalho, pensando em quem você se transformou e o quanto eu perdi disso. Porque o amor é para ser vivido no presente e você só tem vinte e um anos…

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