Às vezes entro num completo estado de dormência, noto tudo mas não sinto nada. Foi a forma que encontrei de permanecer indiferente diante situações que não me cabem. Tento tanto não fazer questão, que acabo não fazendo mesmo. Dou sorrisos amarelos, digo meia dúzia de palavras e aguardo até o fim da refeição. Só não digo que já desistiram de mim, porque na verdade, nunca se importaram de fato. Nunca houve um momento em que realmente fizessem questão da minha presença. É por isso que eu fui neutralizando as minhas expectativas, matando minhas tentativas de me inserir num lugar que não me cabe e que nunca se esforçou para me caber. Abraços frios, agora me cumprimentam com beijos no rosto, somente quando é conveniente. Isso não me satisfaz. Queria mais, eu queria de verdade. Mas já que não tenho, assim me mantenho: apática. Sei que ninguém está aqui para me entender e não quero bajulação, mas é estranho conviver tanto tempo com pessoas que não fazem a mínima questão da sua presença. É bizarro. Só me resta esses sorrisos amarelos e a ansiedade que me rasga o peito até eu finalmente poder entrar no quarto e permanecer num completo silêncio, já que o desgaste me gasta muita energia. Como eu queria ser mais próxima dessa família, mas infelizmente eu não sou.


sobre uma família que não me encaixa

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