Muito estranho

Prévia sujeita à alteração:

O calor que precede faz meu corpo tremer

Eu sei o que sinto mas tento esconder

Tenho saudade desses suores misturados

E dos momentos que mantive emoldurados

Como salas vazias que nos esperavam

Também as aulas perdidas se justificavam

Havia uma pressa, uma ânsia em viver

Mais do que tudo, em apenas te ver

E sorrateiramente ir ocupando um espaço

Que aos poucos foi ficando naquele abraço

Dele se estendiam mais mil beijos velozes

Até serem interrompidos pelas nossas vozes

Misturando tudo dentro de nós como Dalto diz

Alcançava notas tão altas e aquilo me fazia feliz

Por isso sei que às vezes meu corpo fala comigo

Quando o arrepio sobe até a nuca e causa perigo

Pensamentos vêm a mente se entrelaçando

Aguçados pelo toque que está se distanciando

Volúpias que se enrijecem com o passar dos anos

Então meu caro, pra que fazer tantos planos?

Se o calor que não se extingue agora entristece

Sonhamos com coisas distintas quando anoitece

E pairo sobre a lua pensando em outro cenário 

Mas nada supera o tato que foge do imaginário

Domingos que eram de tudo, menos tediosos

Éramos insuperáveis e hoje muito ociosos

São contradições que quase anunciam o epílogo

Antes despedidas eram beijos e um até logo


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