Ilhense
Eu sempre gostei do meu nome. Quando criança, achava um máximo o fato de nunca ter ninguém com o mesmo nome na lista de chamada ou na vizinhança. Apesar disso, a maior parte do tempo, pensava que o seu significado não era pra mim. Tenho uma mania terrível de me lembrar mais dos momentos tristes do que dos felizes, talvez essa depressão que perdurou por anos, me fez esquecer quem eu realmente sou e agora estou aqui para resgatar: eu fui uma criança de cidade pacata e pequena. Dessas cidades que todo mundo se conhece e o nosso lazer era ir à prainha. Nunca tivemos carro em casa, sempre fui à escola de bicicleta e andava por tudo sozinha. Fui feliz e era espontânea, gostava de gravar vídeos e dançar. Sempre morei em casas de viela, que consistiam em serem grudadas nas outras, sem corredores ou quintal grande. Mas eu era feliz, em algum momento eu fui e muito. Coisas aconteceram, preciso admitir. Mas não tem só esse lado e talvez a timidez, misturada com uma imensa depressão que entrei aos sete anos de idade, tenham me privado de muito e ainda assim, do meu jeitinho, eu tornava tudo aquilo muito mágico. Por ser a única Vivian que eu conhecia, achava que o universo era meu e criava diversas situações para me distrair. Sou filha única e nunca fui de muitos amigos, mas a vida valeu a pena, poxa. Como não? Toda vez que vou pra minha cidade natal, volto com o peito apertado. Lá a vida ainda é pataca e as pessoas vivem num mundinho que só quem é, sabe. Aqui, com essa casa cheia de tranca e olhos atentos enquanto ando na rua, eu não me encaixo de jeito nenhum. Semáforo e trânsito caótico, pessoas com pressa e grossas contigo. Além dessa coisa patética de status social e pessoas metidas. Eu não sou daqui. Mas tudo bem, já me adaptei. Só que até um tempo atrás estava numa maré de tristeza que não passava e decidi que tudo isso iria mudar. O futuro ainda me faz tremer as mãos, mas eu finalmente não tenho do que reclamar. Deus é bom comigo. Estou feliz e para me sentir assim, foi preciso me reconectar com a criança que fui no passado, a "Vivi" que gostava de bonecas da Polly Pocket e tinha uma bicicletinha vermelha. No fundo, ainda sou ela. Não preciso de muito para me virar e sou feliz. Finalmente posso te dizer isso.
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