vivi & seu maxilar quebrado


    Gastei alguns anos tentando entender como a vida funciona, sem me dar conta de que nem tudo tem um manual de instruções. É certo que eu sempre fui muito observadora e motivada pela minha timidez, deixei o destaque para outros e raramente para mim. Talvez hoje eu tenha entendido o porquê de tudo isso e vou explicar: muita parte de mim foi reprimida. Eu tenho um lado b, como um disco de vinil, que só as pessoas mais íntimas podem vivenciá-lo. Para mim, viver sempre me deu um frio na barriga, proveniente de uma insegurança enorme que para não transparecer, eu a cobri com uma grande capa e essa capa me faz ser durona, amarga e estar sempre em alerta. 

    Veja bem, imagine passar longos anos sendo reprimida por coisas que gosta e por ser quem você é, simplesmente pelo fato de que algumas pessoas não conseguem lidar com diferentes formas e jeitos. Em algum momento, eu me responsabilizei por todas as ofensas e coisas desagradáveis que tive que enfrentar e passei a ver mais os meus defeitos do que as minhas qualidades, a ponto de que cresci e a cada pessoa que partia, eu fazia uma lista imensa de possíveis erros meus para amenizar o ponto de interrogação que ficava na minha cabeça. Mas hoje eu acordei pensando que eu também sou uma grande perda, que eu também faço falta e que nem tudo é minha culpa. Provavelmente sou cativante em muitos aspectos, eu só preciso descobrir e quero. 

    Por anos, tive que dar licença à menina doce que floria aqui dentro para enfrentar um universo inteiro de tristeza e não reclamo, foi necessário naquele momento mas eu perdi a mão, tanto e a ponto de que estou aqui tentando me conectar comigo em todos os sentidos, tentando me lembrar de como eu era antes de todo esse caos, sabe? Ainda é difícil entender que a vida não vem com manual de instruções e que não posso querer uma vida baseada na vida do outro. Mas curar essa dor, certamente me ajudará a seguir em frente mais certa do que fui e do que posso ser. 



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