remando meu bote nas lágrimas que choro
Eu não quero mais sentir o gosto da lágrima que escorre até os meus lábios, também não quero mais saber qual o gosto do sangue, quando minha boca racha em três partes e nunca cicatriza. Há um tempo, decidi que não sei o que fazer e mesmo assim, tem pessoas me esperando. Elas querem saber quando eu vou, se eu quero e por que ainda não fiz e eu não tenho as respostas. Eu fujo, tento dizer que tenho dado um tempo pra minha cabeça, mas no fim, tudo que faço é adiar conversas importantes, sentimentos intensos e compromissos inadiáveis. Deitada nessa cama imensa, cheguei à conclusão que o tempo é precioso, mas eu não sei o que fazer com o meu. Por um momento tento me esquecer de tudo, fico esperando alguém me salvar desse tédio ou Deus me dizer por onde eu tenho que ir. Às vezes me encaro no espelho, sinto que estou enlouquecendo e tão derretida num completo vazio, é como se existissem raízes que me fixam nesse marasmo. São tantos amigos para mandar mensagens, pessoas para pedir desculpas, relações para serem mantidas e eu me sinto cansada, ainda assim me culpo porque nesse ritmo que estou, já deixei muita gente partir com raiva de mim. Agora é como se eu não procurasse mais ninguém e ninguém me procurasse. Me sinto sozinha e estou chateada com a quantidade de vezes que já escrevi isso. Nada muda. Não é como se eu me sentisse triste o tempo todo, pois parece que isso virou um consenso entre as pessoas ao meu redor e a única coisa que sentem por mim, é pena. Eu só sinto um nada imenso que me sufoca as entranhas, faz doer a barriga e lacrimejar os olhos facilmente. Por último, a melhor parte do meu dia, é quando me deito e me imagino morando num grande sítio com janelas de madeira enormes e uma porta gigantesca de vidro. Lá, nessa imaginação, eu sou feliz. Aqui ainda é muito quente e eu não tenho muito pra onde ir, sabe? É triste dizer em voz alta que não tenho rumo e eu só não queria mais sentir o gosto dessas lágrimas, mas não passa a vontade de parar de chorar.
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