Palavras


    Muitas vezes escrevi coisas das quais não consegui dizer. Seja por essa falta de coragem, que me foi adquirida pelos constantes momentos que me vi silenciada ou pelo medo que entope os meus poros e me faz perder o timbre da voz. De qualquer forma, aqui existe alguém que parou de suar as mãos, mas ainda puxa a pele dos lábios com a ponta dos dentes, que balança as pernas freneticamente e se sente sozinha. A vida tem sido um eterno primeiro dia de aula, no qual nunca sei quem estará lá, se farei amigos ou se continuarei me sentindo sozinha mais uma vez. A frustração me aniquila, também não sinto fome e ao mesmo tempo quero comer até passar mal e depois me culpar por isso. A real é que não sei qual rumo quero tomar e as escolhas me confundem. 

    Aqui nessa casa, sinto que as paredes vão se estreitando a cada dia que passa e eu me sinto sufocada. Também acordo e o vazio é gigantesco, como se eu estivesse solitária num palácio enorme, sem ninguém para ouvir o meu eco. Me olho no espelho, como quase sempre cito por aqui, porque já passei quase um ano inteiro sem fazer isso, mas ainda assim não me sinto satisfeita. Não sei se é só o espelho do meu banheiro que tem essa magia, mas através dele vejo o meu interior e eu não gosto muito. Minha cabeça gira, pois eu tenho feito tantos esforços, porque os outros dizem "Vivian, você afasta as pessoas com esse seu jeito" e eu penso: então por favor, me diga o que mais eu tenho que fazer pra não afastar ninguém? Porque estou tentando. Por fim, o que me sobra é passar finais de semana inteiros dentro do quarto como sempre foi, por toda a minha vida. 

    Eu tenho uma certa dificuldade agora, para dizer se amo qualquer coisa que não seja a minha mãe e o meu animal de estimação. No geral, o meu coração foi petrificado e cresce em mim, um sentimento de não pertencimento que uma hora vai acabar me matando. Não sei se o amor é pra mim ou o carinho. Eu fiz escolhas e depois voltei atrás, mas ainda não me sinto feliz, então me diz, o que é que falta para a minha vida acontecer? Se eu soubesse ao menos dar um passo pra fora desse cômodo quente e abafado, talvez seria melhor. Aí me surgem mil pensamentos e chego à conclusão que tudo bem, talvez eu seja uma pessoa difícil de lidar e o que me resta é pensar que todo mundo só tem medo de algum dia receber a notícia do meu suicídio. Mas é que eu estou aqui ainda, sabe? E ninguém vem. Não sei mais o que fazer e nem se quero fazer algo. Estou cansada. 

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