acasos


    A chuva não para. Ameniza, mas não acaba. Tem sido assim desde que você se foi, quase uma representação perfeita de como tem sido os meus dias após a sua partida. Da última vez que nos vimos, foi quando o céu desabou e entre chuvas e lágrimas, ali eu percebi que continuávamos os mesmos. Mesmas discussões minúsculas, mas muita dificuldade de irmos embora. Foi preciso, não mudaria. Agora no meu quarto há um vazio e lá fora uma imensidão me esperando. Mas não me arrisco, ainda não coloco os pés para fora. É tudo recente. Recente e úmido, a roupa não seca por completo. No fim o que me sobra é a paciência que a maturidade me trouxe: espero a chuva passar como esses sentimentos que agora vivencio. Deixo doer e permito o tédio, porque o processo é longo e não há espaço para o sol agora. Preciso entender os ciclos. Lágrimas às vezes correm por minhas bochechas, salgando os cantos da boca. Observo a chuva pela janela, depois imagino o que poderíamos ter feito juntos ou o que eu faria se não estivesse chovendo. Ora, que bobeira! Se está chovendo, é porque precisa e se está doendo, é porque eu preciso disso para, enfim, poder me curar. 

Comentários