Quatorze dias para me fazer feliz
Caro amor do acaso,
a noite passada foi linda e folheando meu livro agora, achei um bilhete seu. Notei que a sua letra é deitada, como as ondas do mar que vimos naquela escuridão durante o nosso passeio na orla que contornamos. Também me lembrei dos seus fios de cabelo quando deitou em meu colo. Ao seu lado senti um tanto de coisas que jamais havia sentido e creio que através dos seus olhos, fui a mulher mais doce que já pisou na Terra. Nunca fui vista dessa forma, também nunca fui amada com tanta intensidade em tão poucos dias, mas o que vivemos me faz pensar que a vida compensa os solitários, seja com amor ou com cachaça. Falando nela, nem mesmo sinto ressaca. Parece que acordei de um sonho muito bom e revirei a casa procurando meu cardigã musgo só pra sentir o seu cheiro.
Quando me dei conta, vi que perdi a hora e sem graça não pude adiar os compromissos. Mas ao abrir este livro, te achei e voltei a pensar em tudo. Você me diz que espera me reencontrar e eu também quero, aqui no trem fecho os olhos por segundos imaginando as nossas cenas de amor. Sim, amor! Eu te disse em todas as vezes que não foi só sexo e digo mais uma vez. Porque sexo por fazer, infelizmente quase sempre faço e eles nunca olham para mim. Olham para o meu corpo, mas evitam os meus olhos e qualquer chance de um diálogo decente quando terminamos. Nessas horas me sinto terrivelmente mal, me arrumo e volto para casa pensando que isso nunca mais vai acontecer. Mas penso agora, que se eu cumprisse essa promessa, provavelmente não teria deixado você entrar. No fim, infelizmente engulo joio para encontrar trigo.
Só queria te dizer tudo que senti e talvez eu esteja falando demais. Mas a nossa troca foi tão gostosa e compartilhamos as nossas vidas mesmo com mundos tão diferentes, que eu me sinto à vontade em estar te contando que é sempre um frio na barriga esperar minimamente que o outro sinta o que você sente, entende? E apesar de calejar, indiretamente penso que conto com a reciprocidade. Ainda que eu te fale que não ou que saiba o caminho de volta, como todas as vezes que me sinto uma completa idiota por ter acreditado, chego a crer que o amor às vezes tromba em algum despreocupado. Como eu e talvez, como você.
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