Zimbro


    As luzes vermelhas eram intensas e o som fazia quadris se mexerem e cabeças balançarem de um lado para o outro. Pensei "tudo isso na fila, então imagina lá dentro?", olhei para frente e te vi com aquele short curto e a camisa florida entreaberta, revelando um corpo tonificado. Sei que olhou pra mim porque eu estava mesmo deslumbrante, com minha roupa cintilante dessas que chamam atenção pelo excesso de brilho e o corte do tecido. Sorri enquanto levemente mordia a ponta do cigarro para acendê-lo, você me encarou por segundos e com um sorriso tímido olhou para o chão. Confesso que achei fofo e o resto ao redor, não passou de um mero cenário que contribuía para eu fixar os meus olhos nos seus que tinham a cor do zimbro. 

     A noite era quente, mas tinha lá a sua graça. Pra fora do prédio onde a festa acontecia, até os coqueiros dançavam com a pequena brisa que corria, mas não supria o calor. Imaginei seu corpo suado, primeiro junto ao meu dançando dentro do salão e depois lá em casa num ritmo que poderíamos descobrir juntos. Quando me dei conta, você já tinha entrado e após mais uns cinco minutos eu também entrei. Aí os meus olhos malucos te procuravam no meio daquela multidão, a ponto que meu amigo falou no meu ouvido "desencana", mas como eu poderia? Sempre beijo bocas naquele salão, mas eu queria a sua sem exceção! Se você quisesse, é claro. 

    A festa aconteceu e não te vi um segundo, por alguns momentos te esquecia e outros eu me lembrava porque sempre via alguém que parecia com você. Dancei até os meus pés se machucarem, depois fui lá fora tomar um ar e fumar um cigarro e aí te vi, essa parte você já sabe. Mas o que não sabe é que meu coração bateu mais forte quando ouvi sua voz me dizer um simples oi. Alguns assuntos bobos, desses sobre o clima e a festa, pensei que não passaríamos disso. Você me disse: "bela roupa" e eu sorri para dentro respondendo: "eu mesma produzi". Nervosa não sei nem conversar, é um completo desastre. Olhei no relógio me surpreendendo com a hora, avisei que ia embora e você silenciosamente me seguiu. Agora aqui te pergunto: o que foi que aconteceu? Você me disse que aquela era a melhor noite da sua vida e conversando sobre ela, minha voz pareceu solitária, a ponto de que olhei para o lado e... cara, cadê você? 


Por isso deixo este bilhete com o dono do prédio onde foi a festa, ele disse que você sempre aparece para tomar uns drinks e em algum momento vai ler. 

Comentários