O azulejo do banheiro
Do lado de casa tinha uma academia de balé, então aos finais de tarde eu me colocava no quintal para apreciar as músicas das aulas. Era a distração que eu encontrava para abafar a solidão e o gosto amargo do cigarro sufocava a minha saliva. Essa foi a minha vida durante anos. Me sentia isolada, inconsolável, distante a ponto de que nenhum amigo poderia me alcançar e eu tinha um ar sombrio que me afastava das pessoas. Na verdade acho que me excluíram tanto, até que eu finalmente aprendi a ficar do outro lado. Sozinha. Eu descobri certas coisas cedo demais quando não havia maturidade e ao mesmo tempo sempre me senti desconfortável, atônita e intrínseca. De um modo que não me identificava com ninguém, também não tinha muitas expectativas. Não era alguém divertido, não tinha várias amigas, também não saia, não via pessoas. Eu estava fodida e minha mente sabia. Mas aí nós crescemos e esses traumas vêm conosco, eles nos levam a lugares e nos deixam sozinhos lá. É aterrador se vo...