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Mostrando postagens de abril, 2021

Como Felscherinow

      O frio não se cala e ando sempre mantendo as mãos no bolso. Comigo há um silêncio que se quebra com o barulho das minhas botas, elas vão marcando superfícies secas onde esta chuva não alcança. Meia hora atrás, estava eu me arrumando num banheiro minúsculo, revirando o meu guarda-roupa bagunçado e prometendo a mim mesma, enquanto delineava os olhos, que essa seria a última vez. No meu inconsciente sei que não, mas me iludo. Assim como me iludo com a forma como você me trata, me fazendo crer que é diferente desses outros homens. Eles sim me parecem sujos e estão aqui procurando algo que não deveria ser comprado. Agora o toc toc das botas de couro sintético ecoam pelo quarteirão e daqui já posso ver. Mais uns dez passos e os carros já conseguem parar ao meu lado, daí em diante é o mesmo blá-blá-blá cansativo de sempre e por enquanto vou negar, porque desejo te ver e você disse que viria. A ansiedade que engole o peito e faz as vozes das minhas amigas repetirem na minha...