#4B0082
Você me diz, me diz e me diz coisas das quais eu já sei ou aquelas que machucam no fundo do peito. Tudo bem, eu aceito, porque te digo essas coisas também. Mas cá pra nós, você enxerga o fim? A cada briga que traz as lágrimas e o sofrimento por não saber como lidar e eu me pego pensando em como é bom te ter por momentos, mas que a nossa convivência sai faíscas e que elas vão queimando e queimando, a ponto de que me encontro com os olhos cheios d´água. Que sensação é essa? Que desnorteia até o maior dos focos e paralisa os movimentos espontâneos, na medida em que também corro e não chego a lugar algum, ou melhor, paro exatamente onde já estou. Você sente também? Como se tudo fosse vazio e o eco machuca, mas as palavras ditas de forma grosseira rasgam, destroem, daí não sei o que é pior, o silêncio ou esses diálogos que beiram a desentendimentos e falta de compreensão. Não sei o que o futuro nos reserva, mas daqui vejo muito amor e ao mesmo tempo tristeza. Ultimamente eu me sinto sozinha, dançando sozinha numa festa escura, na qual eu deveria me sentir feliz, mas não consigo e eu te procuro, mas não te encontro. Nossas mãos se desconectaram e eu já não sinto que tenha toda aquela energia avassaladora, que rompe barreiras e nos mantém sonhando acordados. Eu te digo, digo e digo coisas mas tenho medo, você é literal e dificilmente compreende metáforas, o que me faz perder totalmente o raciocínio, a ponto de esquecer completamente os motivos e ainda assim eles machucam. Não sei explicar e nem consigo responder às suas perguntas e bem que gostaria de ter uma bola de cristal, para ver o que vai acontecer com a gente daqui pra frente, mas quando se está dentro de uma relação é difícil enxergar sem as complexidades. E agora? Eu também não faço ideia, mas me atormenta muito esses julgamentos e direto penso que se você é incapaz de entender algumas decisões da minha vida, talvez eu só não deveria contá-las para você e tudo bem. Eu queria mesmo que estivesse tudo bem, mas esse tormento me tira a paz e eu escrevo tanta coisa, que você nunca vai ler. É que eu preciso escrever.
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