Ensaio sobre a inconstância do belo
Sorrateiramente disse o teu nome e delicadamente tocou em superfícies recém-reconstruídas. Talvez de perto podia-se notar alguns defeitos e as cicatrizes que ficaram após a ferida, de uma vivência sofrida coberta com um imenso véu. Partindo-se em metades todos os dias e desdobrando-se para tentar declarar o que já estava declarado; amor para dar. O mundo tornou-se mais doce no instante do inevitável encontro de almas que chegará com encontro de bocas e o peito sorriu aliviado como se dissesse: já posso sentir o borbulho da paixão! Do rosa das bochechas, os tons rosáceos que pertinentemente faziam questão de aparecer e os olhos curiosos que observam e sorriem feitos criança. Arranha-céus no coração do sortudo que desfruta desse teu amor, que ultrapassa as paredes imaginárias do sentimento e no momento, um único pensamento: o belo torna-se o simples ato de admirar o teu hospedeiro, perdendo a hora e a importância em digitalizá-lo a todo custo. O belo que contempla os olhos e diz sem dizer que o sentimento é recíproco nessa imensa teia de desejos e prazeres. Ansiosamente ocorre a espera da felicidade de um dia, ser tocado da maneira mais profunda que justifica toda a nossa existência e divide-se entre amor e vontade. Coisas que me levam a crer que de vez em quando nossas vidas são escritas por um fã apaixonado de filmes de comédia romântica que cuidadosamente, escreve com carinho. Então ponho-me a ousadia de dizer que os gregos estavam errados, pois o belo está muito mais ligado ao ato do amor, do que a beleza externa.
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