de novo e de novo...


  Procuro ar e não consigo encontrar, tudo ao meu redor parece instável e passageiro. Eu gostaria de mudar essa realidade, mas não sei se posso porque os dias passam e eu ajo como tenho que agir, faço o que tem que ser feito. Aqui dentro há tantas coisas acontecendo, feridas que não se fecham e nem cicatrizam. Eu quero respirar outra vez, daquela forma que pude respirar em poucos momentos porque às vezes sinto que estou fadada a sentir essa dor para sempre, até os meus pulmões pararem de trabalhar. Será que quando isso acontecer terei paz? Porque tudo que eu sinto é uma enorme vontade de me esconder, de não manter contato, de gritar para que todos escutem que por momentos achei que tudo isso tivesse passado, mas me parece que não. Eu estou tentando nadar, até achei que tivesse aprendido mas tudo que eu fiz foi conseguir me manter na superfície quando o mar estava calmo, porque é só ele se agitar que eu tenho a sensação de que me afogarei outras vezes. Quantas vezes for possível. Ninguém se importa de verdade, mas eu meio que já superei esse fato. Às vezes queria ser invisível, mais que já sou, só pra ver se notariam a minha falta. Algumas coisas nunca mudam, eu continuo sendo aquela menina de seis anos sozinha durante o intervalo da escola, com medo das pessoas, sem ter com quem conversar. Os meus demônios continuam me maltratando e eu continuo alimentando os seus vícios, odeio ser essa fonte de erros cometidos e ao mesmo tempo me sinto tão próxima do espírito que eu já não sei se isso é bom ou ruim. As tentações continuam sendo as mesmas e eu estou tão cansada de tudo isso. Tenho a sensação de que meu corpo não mais me pertence e isso já faz um bom tempo, porque se fosse meu eu não teria sofrido tantos abusos e todos eles ecoam na minha cabeça fazendo eu acreditar que ninguém de fato se importa com o que penso, com o que sinto porque se as pessoas se importassem, não invadiriam essas barreiras e não tocariam no meu corpo, não me machucariam, não me usariam. E me dói o fato de pensar que me permiti todas essas coisas, ao mesmo tempo que se me perguntassem se eu gostaria que tudo isso acontecesse, eu certamente diria que não. Às vezes cansa me manter forte, porque forte eu não posso errar e quando erro parece o inferno. Estou cansada de engolir tudo comigo e agir como se tudo estivesse bem, aqui dentro. Meus pés não tocam o chão e eu ainda não sei nadar, não canso de sentir a sensação de que nada mais está no meu controle porque parece que tudo que me pertence, é tirado de mim. Eu durmo e continuo cansada, no dia seguinte coloco a dor nas costas e sigo em frente porque preciso, mas tudo que eu queria era chorar por horas e sinto que mesmo assim, as coisas não vão se resolver simplesmente porque eu não sei o que fazer. Eu estou tão cansada, eu só queria respirar aliviada.



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