Solisó


 Quase sempre me pego pensando sobre a solidão e o ser humano. Percebo que desde a adolescência, somos introduzidos a esse extenso e incansável assunto sobre procurar alguém para amar. E agora, às 3 da manhã ouvindo Cartola, enxergo claramente a linha tênue entre estar sozinho e estar solitário; são distintos. Há um bom tempo optei por estar sozinha e desde então tenho me namorado, tenho dado uma atenção maior para o meu corpo, para a minha alma e principalmente para o meu ser. Mas exatamente agora, quando noto que o sexo falta há meses e não há exatamente ninguém para que eu possa ligar, vi pela primeira vez depois de longos meses, a solidão. Às vezes choro, quero abrir uma lata de cerveja, pegar um ônibus e viajar, às vezes só quero ouvir um bom samba antigo e tento imprimir tudo isso em palavras, então passa e na manhã seguinte faço o meu ritual, cumpro com os meus compromissos e torno a entender o porquê de ficar só. Existem tantas particularidades em mim, detalhes, rituais e costumes, que só de me imaginar tendo que explicar isso a alguém, eu quero correr três léguas, mesmo sabendo lá no fundo que quando é pra ser, tudo se engrena sem mesmo percebermos. Mas ainda assim, quando me dou conta de que entrarei em algo raso, paro de molhar os pés, nem me arrisco a continuar, tenho um medo danado de gostar de alguém e não ser recíproco ou pior; ser e durar uma merda de três meses. Odeio despedidas, não sei lidar, mas como dizia Agenor de Oliveira: rir pra não chorar!

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