A velha tv que chia
Eu não consigo fugir de você sempre. Às vezes me deito imaginando um futuro no qual eu seja feliz e livre dessas cordas que internamente me acorrentam em você e quando me dou conta acordo confusa, pois pegar no sono e deixar o meu inconsciente agir é permitir que ele te traga todas as noites para mim, em situações diferentes, me pedindo ajuda ou vindo conversar comigo. Acordo com o barulho do alarme, completamente desnorteada e tendo que ficar uns dez minutos controlando a minha respiração instável. As pessoas ao meu redor dizem que mudei, talvez eu esteja mais amarga, com um um pouco de pé no chão pra encarar a vida, talvez um pouco madura, mas sinto que quando nossos olhares se cruzam, nos olhamos com dor, angústia, como duas crianças perdidas que não sabem o que fazer e então em algum momento alguém vira o rosto para outra direção e tudo volta ao pó. São muitas coisas a se pensar, são coisas que meu íntimo não aguenta mais guardar e ao mesmo tempo demonstro equilíbrio, não quero demonstrar fraqueza, pois esses últimos meses têm sido de extremo aprendizado para mim enquanto eu ainda me adapto com a pessoa que sempre fui. Eu sei que me apego a coisas antigas e tenho uma certa dificuldade em deixar ir, por mais que me conforme rápido que existem coisas que não voltam mais, eu tenho esse jeito meio complexo de apreciar décadas passadas, amores antigos e histórias que são apenas lembranças. É, eu sei, sempre digo que sou uma escritora que precisa viver experiências novas para ter porque escrever, mas a verdade é que como todo escritor boêmio, lamento sobre o passado e o porquê não estou mais nele. Não dá pra fugir de você sempre, eu te disse uma vez que ganhar um mero pedaço do meu coração já era transtorno, imagina quem já teve ele inteiro...
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