Medo de morrer? - Projeto Incógnita com Açúcar


 Começo aqui dedicando tudo isso ao meu avô que agora está tranquilo, está em paz e descansando. Eu amo o senhor. 

 Há alguns dias o meu avô faleceu e o mais curioso é que uns dias antes eu estava procurando sobre a morte. Morte? O que é a morte? Têm medo de falar dela? Pois vamos ter que conversar sobre isso. Eu andei perguntando para algumas pessoas e analisando cada relato que ouvi e recebi, de um modo geral percebi que cada indivíduo enxerga a morte de acordo com a vida que leva. Lembro-me de quando eu tinha uns 8 anos, nessa época eu descobri que quando o coração para de bater, você morre e desde aí esse foi o meu maior medo. Eu ficava colocando a mão no peito para sentir os batimentos cardíacos, ficava concentrada reparando qual era a velocidade e tudo mais, acho que fiquei por um bom tempo nessa paranóia e só fui parar com isso quando esqueci-me por completo. Foi a mesma sensação de quando se descobre que você respira para viver e daí fica tentando reparar se você está mesmo puxando o ar. 
 Por muito tempo eu implorei pela morte, ia dormir desejando não acordar e tudo isso é resultado de uma depressão crônica. Hoje é diferente, sei que tenho uma doença aqui comigo e lido com ela, hoje tenho as minhas crises mas eu quero viver, eu luto para viver! E já deixo avisado: se tem uma coisa que vocês vão reparar aqui, é que vou citar em praticamente todos os textos a minha depressão, simplesmente porque ela tornou-se algo meu, íntimo, aprendi a ser amiga dela e hoje temos uma relação estável. Eu tenho um histórico com suicídio, de algumas tentativas frustradas que pretendo me aprofundar em outro momento... sendo assim, a morte sempre esteve por perto. Outro flash de memória traz-me uma lembrança de um dia que eu estava na escola com duas amigas, tínhamos em torno de 13 anos, não lembro-me por qual motivo mas sei que soltei a seguinte frase: "eu estou morrendo aos poucos.", minhas amigas entreolharam-se e ficaram falando o quanto foi bizarro eu ter dito aquilo e de fato foi, mas passei a minha adolescência toda aspirando a morbidade, todos os meus amigos sabiam que eu andava mal e alguns viam os constantes cortes que eu fazia pelo o corpo. Chegou a ficar tão pesada toda essa energia que eu não aguentei, eu sempre pesquisava pelo assunto, assistia filmes de terror com mortes absurdas e estava totalmente descrente da vida, então de um modo geral, presumimos aqui que sempre enxerguei como um momento de alívio para toda a minha dor psicológica. 
 Mas a morte é mais do que isso, a religião sempre tenta dar um significado para ela. Seja o Dogmatismo religioso com céu e inferno, até o Hinduísmo com suas reencarnações e lei do carma, mas nada disso nunca me contemplou. A ideia de viver algo além disso aqui me assusta, eu não gosto e não quero e por conta disso, já entrei em conflitos de ideias religiosas muito grandes. No fundo, acho que o ser humano inventou a religião e consequentemente, um motivo para acreditar que nossa existência faz algum sentido na Terra, mas será que faz? Eu adoro pensar que tenho missões aqui no mundo e que sou especial porque de fato se estou conseguindo manter-me viva, estou vencendo mas compreendo que sou apenas um ser vivo num planeta que está ao lado de outros planetas, num Universo imenso. Durante os relatos que ouvi, a maior parte das pessoas têm medo da morte porque estão crentes que vai existir algo após e por isso sentem-se obrigadas a serem boas e corretas pessoas, com medo do que as aguardam depois disso tudo. O fato é que não pensamos na morte, evitamos ao máximo e por isso, a dor de perder alguém é sempre muito grande e o impacto muito forte. 
 No fim, achei que eu conseguia lidar bem com a situação, até o meu avô partir e a sensação de saber que nunca mais vou ouvir a voz dele ou olhar em seus olhos assustou-me muito, por isso, quero dialogar e desconstruir esse medo de falar sobre morte, principalmente porque já estive perto. Parece que evitamos falar da morte sendo que ela é uma das poucas certezas do mundo e após tantas reflexões sobre ainda não sei o que pensar disso tudo, mas acho que ela é uma natureza tão normal de todo ser vivo que não devíamos nos preocupar tanto assim.Talvez nós nunca estamos de fato preparados para a nossa própria morte, só mesmo alguém com muita plenitude e tranquilidade com isso. Eu mesma sempre digo que não tenho medo, mas quando senti algo pontiagudo nas costas e na barriga vindo de um assaltante, tudo que eu quis foi que aquela situação toda acabasse e que eu saísse ilesa e mesmo assim, a minha preferência foi salvar o meu ex namorado e ficar ali enfrentando o que o que o cara queria. É doido pensar em tudo isso, quero pensar que a vida vem e nos traz e a morte vem e nos busca. 

[Nessa imagem são fotinhas minhas com o meu avô <3]

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