Antônina H
Naquela noite estrelada
Na calada da madrugada
Te encontrei numa dessas estradas
E meu coração saltou pela boca
“Vem me fazer companhia”
Tu disse enquanto sorria
Saltei pra dentro do teu carro
Compramos bebidas e um baralho
Passamos a noite em claro
Parados em um lugar qualquer
Você me viu como mulher
E embaçamos o vidro
Corremos um enorme perigo
Mas ai ao amanhecer
Fumou todo o teu cigarro
E me disse “que bom em ter você”
Estacionado em frente aos carros
Me beijou lentamente
Com medo de verem a gente
Me deixou no posto Malibu
E partiu pro lado sul
Caminhei até a minha casa
Meu peito queria criar asa
Só pra te ver e dizer
“Fica comigo
no meu colo tem abrigo”
Mas mainha bem me falou
Que viu tu mais tua dona
Mentira tua, não te soltou
Tu voltou com a tua Arizona
Eu já devia bem saber
Que tu me procura pra foder
E quando chega o amanhecer
Vai com ela se envolver
Na vila todo mundo diz
Que Arizona torce o nariz
Que se sente a imperatriz
Mas no fundo é infeliz
E Madrinha bem me disse
Que boa coisa tu não é
Que serei a eterna vice
E ela a “tal muié”
Te espero como quem nada espera
Será que terei uma relação sincera?
Te ter só pra mim, quem me dera
Triste amar quem adultera
Daí você aparece
Teu abraço me aquece
Teu beijo enlouquece
Mas relutando te digo “me esquece”
“Vem viver ao meu lado”
Eu entro nessa trama
Amo e odeio esse teu jeito safado
Que no final só quer me levar pra cama
Tu me propõe fugir contigo
Mas já, já é Carnaval
Me dê pelo menos um motivo
Pra acreditar que é leal
Carnavais vem e vão
Quarta de cinzas tu ressuscitou
Corri por todo o salão
Pulando em teus braços quando falou
“Vem comigo ou vamos nos atrasar”
Pensei: contigo finalmente vou ficar
Ficaria até Arizona te matar
Dois tiros foram capazes de te levar
Meu amor eu te amo para sempre
E dela me vingarei
Disso esteja sempre ciente
Nessa caatinga todinha a procurarei
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