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Mostrando postagens de abril, 2017

Esses putos vão ouvir falar de mim

 De vez em quando você chega no fim do poço e só aí percebe o quanto caiu, sabe, eu estive pensando aqui todas as vezes que não me senti boa ou que deixei que me dissessem que eu não era capaz de algo.

Por que você só me liga quando está chapado?

 Quando meu reflexo se desconfigura no espelho de um banheiro sujo em um bar qualquer, é hora de ir embora pra casa. Aonde está você amor? Além de estar no meu pensamento, eu passei a noite toda pensando em uma maneira de chegar em você e sentir novamente o seu calor. Só mais algumas doses e ninguém vai perceber que eu ainda tenho sentimentos. Te vejo em cada rosto, em cada esquina, em cada bar mas você não está aqui, aonde é que eu fui parar? Sozinha e sem você pra me guiar, eu estou tentando voltar pra casa agora, talvez eu bata na sua porta ainda. Prometo que se você me atender, eu peço-lhe desculpas pelas mensagens mal escritas que enviei, só estava tentando te dizer que nem mesmo a bebida me tira de você. Você viu as milhares chamadas perdidas minhas que deixei em seu celular? Se você tivesse me atendido, saberia o quanto eu estou mal tentando enfrentar o fato de que o alcool está me controlando agora.

Sobreviver ou viver?

 Não é só sobre ser eu, é sobre colocar um fardo nas costas e seguir. Sobre guardar as dores no bolso e continuar caminhando, sobre repetir pra mim mesma que preciso de resiliência acima de tudo. Não é só sobre o que venho aguentado, é sobre lembrar que todas as vezes que cai, tive que me levantar; pela minha mãe, por mim... É sobre eu ter seis anos e um peso imenso já, sobre ver minha mãe pensando em suicídio e mostrar pra ela que a vida é bonita. É sobre chegar em uma cidade nova e ser o centro das atenções e não é no bom sentido, é sobre apanhar no banheiro do colégio e seguir, sobre ser o motivo de chacota por todo o ensino fundamental e aguentar firme até certo ponto. E aquele remédio que tomei aos 14 anos, numa tentativa louca de me matar, de tirar isso tudo de mim, da vida parecer o fim e no outro dia estar tudo igual. É sobre os cortes pelo o meu corpo, sobre usar blusas de frio em um calor de 30º graus e esconder tudo pra mim. É sobre violarem meu corpo, sobre eu acordar ...

Eu nem vi

 E aqui estou eu, de madrugada, tomando cachaça com suco e comendo um pedaço de pizza. Sozinha, fazendo coisa nenhuma, eu não consigo dormir e não sinto sono. Com a maquiagem ainda no rosto, me alcoolizo até enxergar tudo embaçado; ultimamente o álcool é o meu amigo confidente. Naquela droga de faculdade, me concentro, tento ler, eu preciso fazer isso, entende? Mesmo sendo uma bêbada com depressão, eu preciso disso. É isso que os escritores sem pudor nas palavras eram, não é? Descontente com a droga do meu corpo, pouco feliz comigo mesma, mas tudo bem, eu vou equilibrando isso. Eu tô bem, saca? Eu tô evitando o cigarro um pouco, eu tenho alguém que diz que me ama e algumas músicas boas para se ouvir no fone de ouvido prestando atenção em cada melodia. Eu vou terminar de escrever meu livro e quem sabe eu posso sumir porque não tô suportando minha mente me dizendo que sou uma merda e aos poucos as pessoas estão indo embora.