Acorda, Vivian!


 Às vezes fecho os meus olhos e penso nas pessoas se importando comigo, indo me levar flores ou comentando o quanto eu marquei a vida delas, essas imaginações veem acompanhadas de um cheiro de vela e sofrimento. Eu que já quis tirar a minha vida diversas vezes, eu que já tentei e ainda estou aqui, respirando e escrevendo tudo isso. E se por um acaso, meus cabelos ruivos parassem de crescer e finalmente ficassem organizados em uma caixa de madeira? Se meu último delineado nos olhos fosse feito por outras mãos que não fossem as minhas? Se me colocassem toda de branco mesmo sabendo que sempre me vesti de preto (talvez a minha alma já estivesse de luto há muito tempo)? Minha mãe diria que eu sempre fui uma ótima filha, meus professores diriam que minhas notas sempre foram boas e eu era uma aluna regular, meu pai sentiria minha falta, será? Fico pensando se tanta gente lembraria de mim, se eu finalmente teria pessoas curiosas pelo o que escrevo e finalmente penso, será que pensar tudo isso faz de mim uma suicida ambulante?
Quando na verdade as coisas parecem simplesmente mais fáceis se eu pudesse deixar e descansar tudo aquilo que não dormi nas noites. Esse lance de ser vivo é relativo, inúmeras vezes me senti mais uma morta no meio de uma multidão sempre graça e morta também. Eu sou muito agradecida pela vida que tenho e todo aquele bônus, mas poxa a vida, eu não consigo evitar esses pensamentos e quando olho no relógio, já são quase 6 horas da manhã...

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