Setembro Amarelo: Precisamos falar sobre depressão
Por tanto tempo me senti triste demais para levantar da cama e ter uma vida social fora do meu quarto, por tanto tempo me senti um peso para minha família, inútil para a sociedade, me sentia do tipo que se eu estivesse ali ou não, não faria diferença alguma ao redor. Meu corpo estava cansado, não importa o quanto eu dormia, ainda tinha olheiras fundas e um olhar triste, eu deitava no chão e ficava olhando o teto do meu quarto, sentia meu corpo afundar no piso gelado, me sentia estranhamente mal. Mas é claro que eu precisava levantar da minha cama, eu tinha que lavar o rosto, me arrumar, ir para a escola... E tudo isso se tornavam coisas chatas demais, tarefas difíceis. Com o passar das semanas comecei a achar os assuntos dos meus amigos um saco, com o passar dos meses, comecei a me sentir completamente distante deles. Distante de tudo! Eu sempre fui muito triste, talvez tenha sido algo na infância que não se desenvolveu direito, seguido de uma perseguição constante que sofria na escola, coisas que foram me isolando cada vez mais do mundo lá fora.
Certo dia, rodando um blog na internet, descobri um novo vício; automutilação, decidi experimentar. E o que parecia bobo, serviu diversas vezes como escape quando me sentia triste demais, um corte aqui, outro ali, a sensação que dava quando o sangue começava a se mostrar era tão prazerosa que eu queria mais e mais. Blusas com mangas grandes em dias de calor, pra mim, ninguém notaria que eu suava mas me recusava a tirar a blusa de frio. Passei três anos desenvolvendo algo que agora, levarei para o resto da minha vida. Só fui enxergar quando ela já havia crescido demais dentro de mim, quando comecei a sentir muita dor física além da psicológica, quando olhei ao redor e pouquíssimas pessoas haviam ficado comigo. Eu só conseguia pensar "caralho, eu sou uma merda e tenho que acabar com isso". Que Deus me perdoe, mas tirar a minha própria vida pareceu tão interessante que tentei, mas não aconteceu e eu me achava mais ridícula ainda por nem a morte ter me aceitado. Eu era um peso ambulante para tudo e todos na minha cabeça. Ela cresceu em mim de um tanto, que finalmente pôde cobrir os meus olhos para que eu enxergasse somente o que ela quisesse. Desenvolvi distúrbios alimentares numa tentativa de tentar lidar com a situação. Não sei dizer exatamente quando senti que pude dar um passo a frente de tudo isso, só sei que chegou um momento que eu disse "chega, eu sou melhor que isso!" e me sinto até honrada pois poucos têm essa sorte. E desde então eu sei que ela se acomodou dentro de mim, ela é crônica e fica aguardando momentos ruins para aparecer novamente. Cada dia vivido é uma vitória, todos os dias são uma luta! Esse é o meu relato sobre o quão mal já estive. Há milhares de outras pessoas em situações como essa por aí, às vezes até convivendo com você, já parou pra pensar? Já parou pra tentar ajudar? Precisamos falar sobre depressão.
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