Feminismo na minha vida parte 2
Um tempo atrás contei aqui a minha principal influência feminista, no caso, a minha mãe. Caso não tenha lido, clique aqui para ler antes de continuar nesse post. Hoje falarei um pouco mais e claro, incluirei a questão de gênero, sexualidade e afins porque de certa forma acarretou no meu processo de participação e descobrimento do movimento feminista.
Como no outro post, eu disse que minha mãe sempre me empoderou, a própria história dela já foi o suficiente para eu perceber que não precisava ser dependente de um homem para sobreviver. Uma das memórias mais vivas minha, é que aos 10 anos dei um discurso para a minha família que sobrecarregava a minha cabeça e de minhas primas com a famosa frase "Se continuarem assim, não vão arranjar um marido!". Vocês conseguem perceber como voltam as mulheres sempre para o patriarquismo, sempre para os homens?
Não ouço ninguém falando o oposto a um garoto de 10 anos. Enfim, entraram nesse assunto bobo e eu simplesmente falei: "E quem disse que preciso de homem? Quem disse que preciso casar? Minha mãe me cria muito bem sozinha, eu nunca vou lavar cueca de homem não!", talvez dentre os orgulhos que minha mãe sinta de mim, esse é o mais precioso.
Eu nunca visionei a minha vida com um marido, sendo dona de casa enquanto ele trabalha. Na minha infância dificilmente tive as minhas coisas todas rosas por intitularem de "cor de menina", quando possuía algo rosa, era por pura vontade e escolha minha. Meus pais sempre me deixaram à vontade para usar as cores que quisesse, lembro que eu até tinha umas camisetinhas "de meninos", eles não tinham muita implicância comigo. Em relação aos meus brinquedos, as casinhas, bonecas e panelinhas sempre foram as minhas principais atrações, talvez porque toda uma sociedade ainda diz que esses são brinquedos para garotas ou talvez porque eu simplesmente gostasse. Como sempre, sempre vi a minha mãe fazendo a comida e limpando a casa, e agora pergunto, por que sempre a mulher? Hoje existem casais mais diversificados que dividem as tarefas mas quase sempre, ainda se vê os trabalhos domésticos voltados às mulheres. Via a minha mãe e reproduzia nas brincadeiras enquanto os meninos ganhavam pontes e carros visionando no futuro uma engenharia talvez?!
Aos 11 anos, descobri que mulheres também me atraiam. Esse foi um processo natural em minha vida e através disso, me senti mais próxima do universo feminino. Eu sempre odiei cantadas, sempre apresentei comportamentos feministas mas não me rotulava, o feminismo não tinha tanta voz em cidades pequenas como as que eu morei por um período. Poderia sim existir de forma indireta, mas diretamente e estampado, não existia o termo. O que existia e acredito que ainda ocorra bastante, é o machismo, esse assassino de mulheres. Eu constantemente via meninas engravidando e os caras sumindo, meninas de 14 anos, pobres, ficando com caras de 25 anos ou mais por causa de carro e dinheiro, foi uma realidade muito triste. Aos 14 anos, recebi uma proposta de um fazendeiro riquíssimo de sair com ele por 300 reais, isso mexeu comigo demais na época, fui muito firme na minha resposta e pedi para ele se afastar de mim. As meninas mal acreditaram que eu neguei a proposta, elas me disseram que aceitariam na hora e que gostariam muito de receber o tal convite. Eu nem sabia da existência do termo feminismo em 2012, mas clamava por ele diante toda essa situação.
Entende por que precisamos do feminismo, meu amor? Porque, talvez pra essas meninas isso seja natural porque os pais apoiam e a sociedade machista impõe. Numa cidade menor dá pra ver isso com mais clareza. E nesse momento, talvez você esteja pensando, "Essas meninas têm esse comportamento porque são putas, vadiazinhas" e eu te digo; claro que não, meu amor. Isso é o que a sociedade machista coloca em nossas cabeças, esse julgamento de achar que mulher é vadia sendo que forçam ela todos os dias a isso, as pessoas sexualizam demais o corpo da mulher, da menina adolescente, da criança. Pode ver, quando uma menininha tem um comportamento mais ousado, culpam ela dizendo que ela é quase uma mocinha e "Mocinhas não fazem arte, mocinhas precisam ficar quietinhas brincando de Barbie", e assim jogam uma responsabilidade enorme nas mulheres desde muito cedo.
Talvez eu não tenha me juntado a luta feminista antes por não conhecer, mas como disse, nunca deixei que um homem me dissesse que eu sou inferior por ser mulher. Sempre afrontei, sempre xinguei e respondi à cantadas na rua, nunca suportei machismo. Em 2014, quando mudei para uma cidade maior, é lógico que fui inocente por um bom tempo e não percebia que em pequenos detalhes o machismo brota, como por exemplo; quando garotas não podem usar shorts na escola porque os meninos vão ficar "animadinhos" e os professores não se seguram com olhares; quando dizem que mulher no volante é perigo constante; quando dizem que uma mulher é vadia por ficar com muitas pessoas ao mesmo tempo e mais uma lista de pequenos machismos do dia a dia.
Sem dúvidas, 2015 foi um ano marcante para a luta do feminismo né? No final de 2014 ouvi falar sobre mas não era tão ativista, aliás eu confundia o feminismo com femismo. (Femismo = supremacia da mulher sobre o homem, oposto de machismo). E depois descobri que feminismo não é o oposto de machismo, e sim uma luta de igualdade de gêneros, "Mas Vivian, se feminismo não é o oposto de machismo, por que recebe esse nome?", bem, é simples, meu amor, porque se você olhar ao redor, verá que a mulher ainda não tem total espaço na sociedade. Em 2015, fui tão ativista nos meus meios que todos se lembravam de mim quando viam em algum lugar falando sobre o movimento. Me sinto orgulhosa por isso. Eu analisei meu comportamento e vi que indiretamente eu era feminista há muito tempo. Desconstruí preconceitos que naturalmente tinha por causa do machismo e essa coisa de quererem sempre colocar uma mulher contra a outra. Antigamente eu tratava algumas meninas como inimigas, enchia a boca e falava que eu queria ser um homem (na verdade eu só queria ter a liberdade que eles têm), quando menstruava me odiava por ser mulher, achava que meninas que ficam com vários caras não eram para namorar (eu ouvia isso dos meus amigos misóginos) e como sempre tive mais amigos homens, achava algumas meninas falsas e falava que amizades com homens era melhor. Desconstruí tudo isso e hoje digo: mulher tu é livre, somos irmãs, não te acho falsa, não quero inimizade com você e não há problema algum em ficar com várias pessoas, isso não te faz rodada, te faz segura de si.
Quem sabe terá parte 3 contando minha ideologia dentro do movimento e tudo mais?! Por enquanto é só.
Como no outro post, eu disse que minha mãe sempre me empoderou, a própria história dela já foi o suficiente para eu perceber que não precisava ser dependente de um homem para sobreviver. Uma das memórias mais vivas minha, é que aos 10 anos dei um discurso para a minha família que sobrecarregava a minha cabeça e de minhas primas com a famosa frase "Se continuarem assim, não vão arranjar um marido!". Vocês conseguem perceber como voltam as mulheres sempre para o patriarquismo, sempre para os homens?
Não ouço ninguém falando o oposto a um garoto de 10 anos. Enfim, entraram nesse assunto bobo e eu simplesmente falei: "E quem disse que preciso de homem? Quem disse que preciso casar? Minha mãe me cria muito bem sozinha, eu nunca vou lavar cueca de homem não!", talvez dentre os orgulhos que minha mãe sinta de mim, esse é o mais precioso.
Eu nunca visionei a minha vida com um marido, sendo dona de casa enquanto ele trabalha. Na minha infância dificilmente tive as minhas coisas todas rosas por intitularem de "cor de menina", quando possuía algo rosa, era por pura vontade e escolha minha. Meus pais sempre me deixaram à vontade para usar as cores que quisesse, lembro que eu até tinha umas camisetinhas "de meninos", eles não tinham muita implicância comigo. Em relação aos meus brinquedos, as casinhas, bonecas e panelinhas sempre foram as minhas principais atrações, talvez porque toda uma sociedade ainda diz que esses são brinquedos para garotas ou talvez porque eu simplesmente gostasse. Como sempre, sempre vi a minha mãe fazendo a comida e limpando a casa, e agora pergunto, por que sempre a mulher? Hoje existem casais mais diversificados que dividem as tarefas mas quase sempre, ainda se vê os trabalhos domésticos voltados às mulheres. Via a minha mãe e reproduzia nas brincadeiras enquanto os meninos ganhavam pontes e carros visionando no futuro uma engenharia talvez?!
Aos 11 anos, descobri que mulheres também me atraiam. Esse foi um processo natural em minha vida e através disso, me senti mais próxima do universo feminino. Eu sempre odiei cantadas, sempre apresentei comportamentos feministas mas não me rotulava, o feminismo não tinha tanta voz em cidades pequenas como as que eu morei por um período. Poderia sim existir de forma indireta, mas diretamente e estampado, não existia o termo. O que existia e acredito que ainda ocorra bastante, é o machismo, esse assassino de mulheres. Eu constantemente via meninas engravidando e os caras sumindo, meninas de 14 anos, pobres, ficando com caras de 25 anos ou mais por causa de carro e dinheiro, foi uma realidade muito triste. Aos 14 anos, recebi uma proposta de um fazendeiro riquíssimo de sair com ele por 300 reais, isso mexeu comigo demais na época, fui muito firme na minha resposta e pedi para ele se afastar de mim. As meninas mal acreditaram que eu neguei a proposta, elas me disseram que aceitariam na hora e que gostariam muito de receber o tal convite. Eu nem sabia da existência do termo feminismo em 2012, mas clamava por ele diante toda essa situação.
Entende por que precisamos do feminismo, meu amor? Porque, talvez pra essas meninas isso seja natural porque os pais apoiam e a sociedade machista impõe. Numa cidade menor dá pra ver isso com mais clareza. E nesse momento, talvez você esteja pensando, "Essas meninas têm esse comportamento porque são putas, vadiazinhas" e eu te digo; claro que não, meu amor. Isso é o que a sociedade machista coloca em nossas cabeças, esse julgamento de achar que mulher é vadia sendo que forçam ela todos os dias a isso, as pessoas sexualizam demais o corpo da mulher, da menina adolescente, da criança. Pode ver, quando uma menininha tem um comportamento mais ousado, culpam ela dizendo que ela é quase uma mocinha e "Mocinhas não fazem arte, mocinhas precisam ficar quietinhas brincando de Barbie", e assim jogam uma responsabilidade enorme nas mulheres desde muito cedo.
Talvez eu não tenha me juntado a luta feminista antes por não conhecer, mas como disse, nunca deixei que um homem me dissesse que eu sou inferior por ser mulher. Sempre afrontei, sempre xinguei e respondi à cantadas na rua, nunca suportei machismo. Em 2014, quando mudei para uma cidade maior, é lógico que fui inocente por um bom tempo e não percebia que em pequenos detalhes o machismo brota, como por exemplo; quando garotas não podem usar shorts na escola porque os meninos vão ficar "animadinhos" e os professores não se seguram com olhares; quando dizem que mulher no volante é perigo constante; quando dizem que uma mulher é vadia por ficar com muitas pessoas ao mesmo tempo e mais uma lista de pequenos machismos do dia a dia.
Sem dúvidas, 2015 foi um ano marcante para a luta do feminismo né? No final de 2014 ouvi falar sobre mas não era tão ativista, aliás eu confundia o feminismo com femismo. (Femismo = supremacia da mulher sobre o homem, oposto de machismo). E depois descobri que feminismo não é o oposto de machismo, e sim uma luta de igualdade de gêneros, "Mas Vivian, se feminismo não é o oposto de machismo, por que recebe esse nome?", bem, é simples, meu amor, porque se você olhar ao redor, verá que a mulher ainda não tem total espaço na sociedade. Em 2015, fui tão ativista nos meus meios que todos se lembravam de mim quando viam em algum lugar falando sobre o movimento. Me sinto orgulhosa por isso. Eu analisei meu comportamento e vi que indiretamente eu era feminista há muito tempo. Desconstruí preconceitos que naturalmente tinha por causa do machismo e essa coisa de quererem sempre colocar uma mulher contra a outra. Antigamente eu tratava algumas meninas como inimigas, enchia a boca e falava que eu queria ser um homem (na verdade eu só queria ter a liberdade que eles têm), quando menstruava me odiava por ser mulher, achava que meninas que ficam com vários caras não eram para namorar (eu ouvia isso dos meus amigos misóginos) e como sempre tive mais amigos homens, achava algumas meninas falsas e falava que amizades com homens era melhor. Desconstruí tudo isso e hoje digo: mulher tu é livre, somos irmãs, não te acho falsa, não quero inimizade com você e não há problema algum em ficar com várias pessoas, isso não te faz rodada, te faz segura de si.
Quem sabe terá parte 3 contando minha ideologia dentro do movimento e tudo mais?! Por enquanto é só.
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