Dance, pequena mentirosa


 Eu não me esqueço, ela estava com seus sapatos de cor azul bebê. Vamos logo, Anelise, ajunte os seus pés. Era festa de gala, todos bem vestidos e a falsidade exalava de forma tão natural quanto o perfume doce que as moças usavam. O salão era uma contemplação do céu, mas todos ali iriam para o inferno, pois você sabe, a classe alta é a própria luxuria. Cumprimentei todas as moças, tomei uma taça de vinho branco, esperava ansiosamente pela vinda da mais bela da festa: Anelise. Se me distraio com algumas moças lindas, pois me perdoe, o sorriso mais lindo ainda é dela. A hora passa, as enormes portas com detalhes dourados se abrem, um brilho sem igual surge entre elas, eu já logo sei do que se trata. A minha dama chegou! Anelise é do tipo que faz qualquer um perder a noção do tempo e espaço, ela é completamente linda, não me canso de olhá-la. Ela tem algo de diferente, chegou toda ousada me convidando para a valsa.
"O rapaz aceita dançar comigo?", dizia enquanto abria o seu sorriso maravilhoso.
 - Minha deusa, por que demorastes tanto para vir? Eu achei que não querias mais me ver.
 - Que rapaz tolo, meu nome és Anelise e eu não quebro uma promessa!
  Que valsa mágica, tínhamos a sintonia mais perfeita do salão. A dança durou por um século e meio e quando acabou, Anelise partiu para me buscar mais uma taça de vinho branco.
 - Trouxe uma para ti e outra para mim. Aceites por favor, rapaz, ou vou ficar ofendida.
 Ela segurou forte em minha mão, me arrastando para o jardim, longe de toda aquela gente emperiquitada. Me olhava firmemente enquanto eu bebia o tal vinho, que aliás, me tonteou muito.
 Anelise me beijou, seus lábios eram doces e eu era infinito. "Tire a minha honra", dizias ela enquanto delicadamente desabotoava minha calça.
 - Anelise, eu não posso...
 - Claro que podes, eu quero.
 Definitivamente aquele momento foi o mais perto que pude chegar do céu e estava tão bom, até que Anelise tira algo de suas véstias. Ela me ataca com uma faca bem no coração, foi certeiro e rápido. Não gritei de dor, nem tentei contê-la, Anelise era um sonho bom e eu então pude morrer feliz. Mas Anelise, porque fizeste isso comigo? A última coisa que pude ver, foi seu sapato azul bebê, vamos logo, Anelise, ajunte os seus pés.

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