Feminismo na minha vida parte 1
Esses dias, postei algo e meu amigo me perguntou surpreso: "Eu não sabia que você é feminista, mano, por quê?", daí parei para pensar em tudo isso, quer dizer, existem mulheres que são contra o feminismo? Eu disse para esse meu amigo esperar pela resposta, disse que responderia fazendo um texto.
Bom, por que eu sou feminista? A minha maior referência feminista, com certeza é a minha mãe. Ela morou na casa de várias pessoas porque optou por estudar e meus avós moravam na beira do rio, eles não tinham condição nenhuma de manter ela na escola, então desde seus sete anos de idade minha mãe trabalha. Depois, mais velha e já com o ensino médio completo, agora meus avós moravam em um sítio perto da cidade, ela foi morar com eles e aí? Faculdade? Pobre fazia faculdade antigamente? Ela trabalhou incansavelmente cuidando da minha avó que dependia da cadeira de rodas e dos meus tios que na época eram crianças, ao mesmo tempo ela trabalhava fora, viu?
Um pouco mais a frente, a minha mãe se casou com o meu pai, por me ter, perdeu o cálcio dos seus ossos e ficou um tempão sem ter forças para levantar um copo de vidro. A minha mãe se recusava a tomar remédios durante a amamentação, porque se tomasse, não poderia me dar leite e eu era uma chata que não pegava leite nenhum a não ser o da minha mãe. Ela passava dor dia e noite para eu me alimentar, sério, existe coisa mais bonita que isso? Estou chorando. Tenho uma memória rápida de quando eu tinha dois anos de idade, eu estava na cadeirinha na bicicleta com o meu pai e me lembro vagamente de uma mulher me dar um pirulito, essa mulher era um caso que meu pai teve. Parecia que o meu pai ao mesmo tempo que era amigo da minha mãe, ele desprezava ela e a fez sofrer muito! Em agosto de 2005, vi meu pai indo embora de casa, sorte que a minha mãe descobriu a traição. Ver ele saindo com suas roupas e suas coisas foi o ato mais covarde que eu vi, ele queria sair escondido mas minha mãe descobriu a verdade antes do seu plano. Vi a minha mãe sofrer muito, eles estavam há muito tempo juntos, minha mãe chorava mais pela amizade que eles tinham, porque meu pai nos deixou desoladas, já ouvi minha mãe planejando um suicídio, foi uma época horrível. Mas ela deu a volta por cima, eu tenho orgulho de falar, acordava todos os dias bem cedo, trabalhava numa casa grande, saía de lá as seis da tarde, depois começou a faculdade. Me deixava cedo na escola, trabalhava todo santo dia, saía as seis da tarde do trabalho e as seis e dez o ônibus que levava ela pra faculdade passava. Já vi muitas vezes a minha mãe sair correndo atrás do ônibus, ela era bolsista, tinha que manter as boas notas. Foram quatro anos sofridos, com muita luta e suor, vi a minha mãe se formando em 2008, pra mim não existe orgulho maior. Hoje ela é assistente social, provou para todos que mulher pode ter filho e mil coisas, mas pode ser independente sim. Em 2010 fomos para o Mato Grosso do Sul, com a cara e a coragem, sozinhas, sem conhecer ninguém. Passamos um sufoco imenso lá, a cidade era pequena demais, não tinha nada e nos sentíamos só, mas nos acostumamos. Já vi a minha mãe chorando diversas vezes, eu sempre choro junto, mas ela nunca me disse para desistir. Desistência é uma palavra que não existe no vocabulário dela. Em todo esse tempo, ela ainda me empoderou, me mostrou a luta que uma mulher pobre passa, me apresentou Frida Kahlo e outras referências feministas. Quando me assumi bissexual para ela, ela brincou e disse: "mulher é uma coisa boa demais mesmo". Existem diversos outros motivos para eu ser feminista, conto isso depois, por enquanto fique com a história da minha rainha.
Bom, por que eu sou feminista? A minha maior referência feminista, com certeza é a minha mãe. Ela morou na casa de várias pessoas porque optou por estudar e meus avós moravam na beira do rio, eles não tinham condição nenhuma de manter ela na escola, então desde seus sete anos de idade minha mãe trabalha. Depois, mais velha e já com o ensino médio completo, agora meus avós moravam em um sítio perto da cidade, ela foi morar com eles e aí? Faculdade? Pobre fazia faculdade antigamente? Ela trabalhou incansavelmente cuidando da minha avó que dependia da cadeira de rodas e dos meus tios que na época eram crianças, ao mesmo tempo ela trabalhava fora, viu?
Um pouco mais a frente, a minha mãe se casou com o meu pai, por me ter, perdeu o cálcio dos seus ossos e ficou um tempão sem ter forças para levantar um copo de vidro. A minha mãe se recusava a tomar remédios durante a amamentação, porque se tomasse, não poderia me dar leite e eu era uma chata que não pegava leite nenhum a não ser o da minha mãe. Ela passava dor dia e noite para eu me alimentar, sério, existe coisa mais bonita que isso? Estou chorando. Tenho uma memória rápida de quando eu tinha dois anos de idade, eu estava na cadeirinha na bicicleta com o meu pai e me lembro vagamente de uma mulher me dar um pirulito, essa mulher era um caso que meu pai teve. Parecia que o meu pai ao mesmo tempo que era amigo da minha mãe, ele desprezava ela e a fez sofrer muito! Em agosto de 2005, vi meu pai indo embora de casa, sorte que a minha mãe descobriu a traição. Ver ele saindo com suas roupas e suas coisas foi o ato mais covarde que eu vi, ele queria sair escondido mas minha mãe descobriu a verdade antes do seu plano. Vi a minha mãe sofrer muito, eles estavam há muito tempo juntos, minha mãe chorava mais pela amizade que eles tinham, porque meu pai nos deixou desoladas, já ouvi minha mãe planejando um suicídio, foi uma época horrível. Mas ela deu a volta por cima, eu tenho orgulho de falar, acordava todos os dias bem cedo, trabalhava numa casa grande, saía de lá as seis da tarde, depois começou a faculdade. Me deixava cedo na escola, trabalhava todo santo dia, saía as seis da tarde do trabalho e as seis e dez o ônibus que levava ela pra faculdade passava. Já vi muitas vezes a minha mãe sair correndo atrás do ônibus, ela era bolsista, tinha que manter as boas notas. Foram quatro anos sofridos, com muita luta e suor, vi a minha mãe se formando em 2008, pra mim não existe orgulho maior. Hoje ela é assistente social, provou para todos que mulher pode ter filho e mil coisas, mas pode ser independente sim. Em 2010 fomos para o Mato Grosso do Sul, com a cara e a coragem, sozinhas, sem conhecer ninguém. Passamos um sufoco imenso lá, a cidade era pequena demais, não tinha nada e nos sentíamos só, mas nos acostumamos. Já vi a minha mãe chorando diversas vezes, eu sempre choro junto, mas ela nunca me disse para desistir. Desistência é uma palavra que não existe no vocabulário dela. Em todo esse tempo, ela ainda me empoderou, me mostrou a luta que uma mulher pobre passa, me apresentou Frida Kahlo e outras referências feministas. Quando me assumi bissexual para ela, ela brincou e disse: "mulher é uma coisa boa demais mesmo". Existem diversos outros motivos para eu ser feminista, conto isso depois, por enquanto fique com a história da minha rainha.
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