Sobre a minha garota



  Hoje eu vim aqui falar de uma garota ou dos efeitos que ela me causa. Uma garota que eu conheci por um acaso, se existe esse negócio de destino eu acho que foi bem a culpa dele. Tudo bem que a gente não se dava muito bem, nem se gostava muito no começo, mas ela veio falar comigo e os dias foram passando, eu guardei suas mensagens porque lá no fundo parecia que tudo aquilo ia dar certo. cada dia que passava, a gente ia se conhecendo cada vez mais, sem pudor, cada vez mais intimas, cada vez mais próximas. Essa garota enfeitava os meus dias com o seu "bom dia" carinhoso, com o jeito que ela me tratava e aos poucos, eu jamais poderia imaginar, mas bem, se eu ficasse apenas um dia sem trocar qualquer palavra com ela, meus dias pareciam imensamente vazios e eu sinto essa sensação até hoje, quando por um algum motivo não podemos nos falar. Certa vez eu ouvi a voz dela por uns 3 minutos, acho que foram os melhores da minha vida, eu e ela numa ligação curta, com receio e muita vergonha.
Se pudéssemos, provavelmente enrolaríamos mais naquela ligação. Três meses se passaram, aquela garota morava no meu pensamento desde a primeira mensagem que ela me mandou, uma mensagem de boa noite. Creio que seu círculo de família e amigos já sabiam de mim, mas eu era tão sozinha numa cidade tão pequena, não podia contar para ninguém e foi tão difícil guardar toda aquela felicidade pra mim. Eu pretendia contar a minha mãe, pretendia dizer toda a verdade. Sim, eu estava gostando seriamente de uma garota que na época, morava à 800 e pouco quilômetros de distância de mim. Esses três meses se passaram e ela me deu um urso de pelúcia e aí não pude evitar, não pude mais esconder, coloquei para tocar "Second Go" da minha querida Lights e aí saiu. "Mãe, eu gosto dela e ela gosta de mim. Me desculpe por isso, mas não pude evitar.". No momento eu recebi apoio, minha mãe me acolheu tão bem que eu me senti até segura. Os meses foram se passando, eu já não participava das conversas nas rodas das minhas amigas, eu estava vibrada no meu celular o tempo todo e por conta disso a minha mãe chegava a ter raiva. Por muitas vezes, entendi que a minha mãe descontava em mim, por qualquer motivo, o fato de sua filha única não ser hetero, mas enquanto isso eu e essa garota nos mantíamos cada vez mais próximas, ganhamos ligações de 8 minutos, 10 talvez, meia hora, 1 hora, 2 horas... Oito meses, 18 de dezembro, terça-e maravilhosa-feira. Ela chegou a rodoviária da minha cidade atual, "Mô, cadê você?" desci as escadas da rodoviária tão rápido que fico pensando até hoje como não cai aquele dia, me disparei em uma correria e os meus olhos só buscavam uma pessoa: a minha garota. Eu que tenho um sério problema de visão, aquele dia pude vê-la de longe tão linda quanto é de perto, não me hesitei em correr para um abraço. Definitivamente, aquele abraço foi um dos melhores que eu já recebi na minha vida. Meus dias com ela foram tão bom, nosso primeiro beijo, nossos momentos, a gente estava se curtindo tanto, se conhecendo bem melhor. Eu que era tão virgem e inocente, não me arrependo momento algum de ter me entregado à ela, e eu não ligo se eu era nova demais, eu acho que tudo isso valeu a pena então é o que importa. Então ela foi embora, meus dias pareciam tão escuros e eu só chorava, eu só tinha lembranças agora e as despedidas são sempre tão dolorosas... Mas não deixamos de conversar, as coisas simplesmente não ficaram boas para ela lá. Fizemos 1 ano de namoro e eu idiota, nossa como eu fui idiota! Eu até falaria pra você me dar um tapa na cara se eu já não tivesse feito isso várias vezes. Eu quis terminar tudo, eu fui tão infantil que acho que aquele momento ela deve ter se arrependido muito por se envolver com alguém mais novo que ela. Mas se eu disser que eu precisava disso, por favor, não queira me dar um tapa, eu precisei desse tempo pra ver que esse amor não se apagou, mesmo com outras pessoas, mesmo com outros sorrisos, eu ainda pensava todos os dias no sorriso dela. Era ela e cara, não tinha jeito. Mas eu era orgulhosa demais, na verdade eu acho que os amigos dela poderiam até me comparar com a filha da puta da Summer, do "500 dias com ela". E eu tive certeza do amor dela, quando ela me aceitou de novo, logo eu, tão confusa, tão errante e tão torta pra alguém que parecia tão sensível. Inicialmente a gente estava tentando não ter nada, mas isso parecia tão confuso porque afinal, sempre escapava um "amor" nas ligações e aí não teve jeito, eu era realmente dela e ela era totalmente minha. O tempo foi passando, a gente não tinha firmado a nossa relação, eu mudei de cidade e ela veio me ver, isso foi tão bom, reatamos o que nunca era pra ter acabado, mas você me conhece, eu sou um erro ambulante. Os meses foram se passando, a minha vida aqui ficou uma merda, eu não tenho amigos, não saio, na verdade não sou muito feliz mas pelo menos eu tenho ela. E ela me dá toda força que eu preciso, ela veio me ver esses dias e eu estava tão feliz, estava morrendo de saudade, esperar ela na mesma rodoviária das outras vezes me fez ficar ainda mais nervosa, eu estava ansiosa e a minha barriga fazia "zon, zan" como se eu estivesse num parque de diversão. A sensação era inexplicável. Vi ela chegando, ela saindo do ônibus, deu uma vontade de chorar e nosso abraço foi tão apertado, se eu pudesse, ficaria naqueles braços a minha vida todinha. Foi tão bom cada momento ao seu lado, os nossos beijos, nossos abraços, nosso sexo. Com ela, eu me sinto segura, me sinto pronta para seguir meu caminho e ninguém jamais me deu essa sensação. Eu sei que sou tão nova ainda, tem tantas pessoas, tantas bocas, tantos papos, mas eu não quero nenhum, eu só quero ela. Acordar ao lado dela, passar o dia com ela, admirar aquele sorriso, contemplar ela por inteira, observar os seus olhos tão lindos. Eu quero passar a minha vida ao lado dessa menina que mexe comigo, essa menina que me entende, que suporta as minhas crises, que me ouve, que virou a minha irmã, a minha melhor amiga, a minha conselheira, meu porto seguro. Enfim, eu acho que não suportaria acabar com tudo isso porque se isso não for amor, meu caro, deve ser doença. Eu sou tão egoísta, filha única, nunca gostei de dividir as minhas coisas, tenho as minhas frescuras, os meus toques com álcool em gel, a minha garota sabe, mas sabe, Rafaela, eu não sei se você já se cansou de mim, dos meus dramas, mas eu quero dividir meu álcool em gel com você, quero dividir a minha vida, uma casa bonitinha e o meu amor, então, você aceita?


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